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Vagalumes e pirilampos

Jurani Clementino. Publicado em 14 de janeiro de 2022 às 10:15

Por onde andam os pirilampos? Com suas luzes neon vencendo o breu das noites de inverno no sertão? Fazendo descer ao chão, um belíssimo céu de estrelas? Acendendo e apagando no automático suas luzes embutidas. Sem a força da energia elétrica, sem pagamento de taxa de luz, sem prejudicar a natureza. Pelo contrário: embelezando-a. Viviam em grupo e salpicavam de luz a escuridão.

O que fizeram com os vagalumes? Aqueles pequenos besouros luminosos que povoavam a vegetação que ficava por cima das águas dos açudes e lagoas. Que formavam uma cidade iluminada vista de longe. Como se estivéssemos num avião olhando para baixo e, lá do alto, enxergássemos as luzes em miniatura. Só depois que cresci e viajei de avião, foi que percebi isso. E lá de cima, minhas memórias infantis me levaram aos pirilampos. Quando criança, comparava aquela reunião de pequenas lâmpadas incandescentes, com as luzes da cidade vista a uma certa distância na calada da noite.

O que fizeram com os pirilampos e suas luzes neon? Não me digam que foram os sapos que devoraram todos? Eu sei que eles se alimentavam daqueles focos de luz. Mas os pesquisadores apontam três motivos principais para esse cenário de extinção. O primeiro é a perda de habitat. O segundo motivo seria a poluição luminosa. E o terceiro estaria associado ao aumento vertiginoso no uso de inseticidas. Estão matando os vagalumes. Certamente tomados por um fascínio infanto-juvenil, a gente também fazia maldades com eles. Éramos crianças e recolhíamos e prendíamos aqueles bichinhos numa pequena garrafa só para verificar se, no dia seguinte, as luzes em seus corpinhos continuavam acesas. Pobres crianças inocentes. Na manhã seguinte eles estavam lá, como um besourinho comum. Tristes. Nada de deslumbrante.

Mal percebíamos que mesmo à noite, quando colhíamos aqueles pontos de luz ambulantes pelo roçado não conseguíamos desvendar nada. Apenas enxergávamos no interior da sua calda um líquido reluzente. Uma luz fria. Não esquentava, não queimava, não dava choque, não matava… era uma vida iluminada no sentido mais literal da palavra.

Pirilampos e vagalumes, por onde andam? Os anos parecem tão escuros! Voltem, voltem, para iluminar esses tempos de trevas. Joguem um punhado de luz sobre os escombros desses momentos sombrios.

Jurani Clementino
Campina Grande, 14 de janeiro de 2022

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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