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Campina Grande - PB

Uma praga no futebol

14/07/2017 às 9:21

Fonte: Da Redação

Por Murillo de Aragão (*)

Leio com tristeza que uma facção organizada de torcedores do Botafogo atacou torcedores do Atlético Mineiro pouco antes do jogo entre as duas equipes no Estádio Olímpico Nilton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro.

Dias antes um torcedor do Vasco da Gama foi baleado e morreu em um jogo do time contra o Flamengo no Estádio São Januário, também no Rio. Em outro evento, torcedores do Coritiba cercaram um ônibus com corinthianos e o atacaram com pedras e paus.

Eventos como esses se repetem por causa das atitudes de torcedores fanáticos que acreditam que a agressão aos adversários faz parte da vida e do jogo.

Não há, por parte das autoridades esportivas e policiais, o devido tratamento da questão.

Torcidas organizadas são uma praga que afastam do estádio o torcedor não organizado. O pior é que as torcidas organizadas são incapazes de sustentar um clube de futebol. Pelo contrário, elas afastam as famílias do espetáculo.

Infelizmente, a indigência intelectual de dirigentes de clubes terminou por estimular a existência de torcidas organizadas, ao dar-lhes benefícios e mordomias.

Já passou da hora de a CBF e os clubes tomarem uma posição clara quanto a isso. Todas as torcidas organizadas devem ser segregadas, identificadas e monitoradas. Clubes e torcidas devem ser severamente punidos por badernas e violências. Torcidas violentas devem ser simplesmente expulsas dos estádios.

Algumas providências devem ser tomadas.

Jogos do Campeonato Brasileiro devem contar com juízes de plantão e detenção automática para baderneiros. A CBF deve acompanhar com precisão os movimentos das torcidas organizadas.

As polícias, com o apoio da CBF e dos clubes, devem ter serviços de inteligência para vigiá-las. Certamente vão descobrir outros crimes, e as punições devem ser rápidas e exemplares.

De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas, o esporte tem 30 milhões de praticantes no Brasil e movimenta R$ 16 bilhões por ano. São números pálidos diante da importância do futebol brasileiro no mundo. Bem cuidado, o futebol pode movimentar muito mais.

O começo de tudo é tratar da segurança e banir a violência dos estádios e de suas cercanias. O espetáculo do futebol deve ser, acima de tudo, um evento com ampla segurança.

(*) Advogado, professor, jornalista e cientista político

 

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