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Um Patrono sem casa

Josemir Camilo. Publicado em 29 de março de 2018.

Na saudação que fizemos na sessão do PEN Club, Seccional Paraíba, aos 47 anos de partida (26/03) do médico, historiador, prefeito e deputado, Elpídio de Almeida, uma ideia me acendeu: a Casa Elpídio de Almeida, embora exista como instituição de seus pares fundadores, não tem uma casa, uma sede, um paradeiro, para dizer que é seu.

Esta reflexão me vem da experiência que venho acompanhando, como Sócio correspondente do Instituto Histórico, Arqueológico e Histórico de Goiana (conhecido em Pernambuco, por sua sigla – IHAGGo), que ao ser refundado, lutou por uma sede e eis que a Prefeitura local lhe cedeu um prédio dos seus, onde residiu o poeta Adelmar Tavares, para ser sua sede. Aplausos e arregaçar de mangas, pois toda a recuperação do imóvel ficará por conta da iniciativa dos ihaguianos e da sociedade goianense.

Aqui, a terra que acolheu o famoso médico areiense e, que, de tão devotado ao progresso sanitário, veio a ser um dos maiores prefeitos de Campina, fundando a Sociedade Médica, a Maternidade (e Instituto) que leva seu nome, esta terra, pois, parece, através de suas elites políticas, não entender o nobre significado de guardar a memória deste que foi prefeito, por duas vezes, e deputado, e o primeiro (até agora, único) a escrever a História da cidade que amou.

A Academia de Letras de Campina Grande rememora, o grande Patrono da Cadeira nº 11, Elpídio Josué de Almeida (Areia-PB, 01/09/1893-Campina Grande-PB, 26/03/1971), cujo ocupante fundador foi Amaury A. de Vasconcelos e o atual é o confrade, médico, Evaldo Dantas Nóbrega. No nosso Instituto Histórico de Campina Grande, é o Patrono da Cadeira nº 1, e razão desta Casa. Nascido, em Areia, Elpídio de Almeida formou-se em Medicina, pelo Rio de Janeiro, em 1923, estabelecendo-se em Campina Grande, onde começou atuando na profissão, como médico do serviço público.

Na política, elegeu-se prefeito, em 1947 e 1955, e deputado federal em 1951. Logo se revelou historiador, à maneira de seu irmão, Horácio de Almeida e, como membro do IHGP, publicou ensaios historiográficos, coroando com o clássico História de Campina Grande, já em 4ª edição (no prelo). Nomeado presidente da Comissão do Centenário da cidade (1964), criou a Revista Campinense de Cultura e foi responsável pela publicação de diversas obras de história local e os estudos de arte do crítico nacional, o campinense, Ruben Agra Saldanha (Ruben Navarra), Jornal de Artes.

Durante sua atividade como editor, Campina se tornou um polo de correspondência de alto nível literário, estético e cultural, sob sua batuta. Fez revisão em sua obra, que permaneceu por muito tempo oculta, até ser descoberta por sua nora, Maria Ida Steinmuller, (uma das principais fundadoras do IHCG, sob a liderança do médico, Humberto Almeida, filho de Elpídio), para ser dada à publicação. Pois até esta edição, a quarta, de História de Campina Grande, foi, ao que nos parece, negligenciada, tanto pela parte financeira da Comissão do Sesquicentenário, como, posteriormente, da editora da UEPB, permanecendo, até hoje, inédita. O que era para ser uma Memória, caiu no esquecimento.

Acorde, Dr. Elpídio, e venha ver o que alguns descuidados políticos estão fazendo com o seu legado!

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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