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Um olhar sobre o Brasil

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 7 de novembro de 2018 às 8:40

Cessada a fase eleitoral, que alguns ainda insistem em prolongar em terceiro turno que não encontra amparo na Lei, pouco a pouco os futuros governantes começam a se debruçar sobre os imensos problemas inerentes à gestão dos negócios públicos. Com uma diferença fundamental: o recado dado pelo cidadão de protagonismo quanto às ações do Governo ficou bem claro, tudo indicando, e isso é muito bom, que Bolsonaro recebeu uma autorização para agir – disso prestando contas. Não mais a carta branca outorgada a dirigentes do passado que, extrapolando os limites da moralidade e do bem comum, conduziram o país à mais grave crise moral e econômica de sua história.

Na perspectiva de reconstruir o que for necessário, o Brasil não pode fugir da regra comum: Os problemas devem ser identificados e hierarquizados, as metas devem ser adequadamente dimensionadas e o objetivo deve ser estabelecido. O que somos, o que queremos e o que deveremos fazer.

O que é o Brasil, sob o ângulo econômico? Qual a nossa importância no cenário mundial cada vez mais competitivo que exclui os incompetentes?

Nessa avaliação, estabelecemos um posicionamento de países segundo o produto interno bruto de cada um. O Brasil não é um país qualquer. Estamos entre os dez maiores PIB’s do mundo.

No quadro a seguir alguns detalhes importantes

O Brasil, com 5,21% da população desses países, tem um PIB correspondente a 3,11% do total. Ficamos acima de Itália e Canadá.  Já o nosso PIB per capita, ou por habitante, é o terceiro menor só acima do da China e o da Índia, cujas populações são mais de seis vezes a nossa.

Nossa inflação anual, a maior de todas, porém está dentro de limites razoáveis, e abaixo da média estabelecida pelo Governo.

O desemprego, porém, é disparadamente o maior de todos, superando Itália e França. Isso sem contar os desocupados por desalento como hoje se chama, os que deixaram de buscar emprego por qualquer motivo.

A dívida pública só é maior do que a da China e a da Índia, mas preocupa pela crescente elevação, em vista do déficit nas contas do Governo.

Nossas reservas cambiais são a quarta maior dos dez países, superadas apenas por China, Japão e Índia. Isso nos dá tranquilidade frente às intempéries do mercado mundial.

Pois é dentro desse quadro de grandes agregados econômicos que deve agir o Governo, com foco nos nossos problemas internos, quais as prioridades para correção dos problemas, e o que desejemos ser em futuro?

São muito interessantes os temas que estão sendo abordados pela equipe de transição que prepara as bases de atuação do governo a partir de 1º de janeiro de 2019.

O déficit do orçamento não possibilitará, a curto prazo, a redução de tributos. Não será possível eliminar o déficit aumentando a arrecadação e sim pela contenção de despesas tanto no executivo quanto nos demais poderes da república. Como isso será feito?

A reforma da previdência, que muitos elevaram à categoria de coisas inatacáveis, já é quase consensual, mas ainda com forte resistência dos grupos de maior poder de pressão e que têm seus próprios interesses que não combinam com o interesse de todos.

As desigualdades regionais, secular questão nunca bem enfrentada – basta ver o fechamento, na prática – da SUDENE no Governo FCH, devem ser tratadas como prioridade nacional. O Nordeste não poderá aceitar ser apenas um cenário para romances como Vidas Secas, transformado em curral eleitoral por políticos inescrupulosos.

Um choque de gestão deverá ser empreendido otimizando a utilização de recursos com saúde, educação, segurança e infraestrutura.

É muita coisa em jogo que tomaria todo o tempo possível, mas as cobranças continuarão a ser feitas à medida que os fatos se manifestem.

É dever do cidadão fiscalizar e cobrar. Doa a quem doer. Mas nunca afastando o bom senso e a busca do entendimento, sem o apelo â vã quimera de terceiro turno .

E para amenizar a dureza dos números, um registro sobre o processo eleitoral brasileiro, que muitos insistem em repisar.

Dos dez países com maior PIB ajustado pelo maior poder de compra, isto é, as maiores economias do mundo, apenas no Brasil   o voto é obrigatório.

A maior economia do mundo e democracia mais importante, revela uma singularidade que chama a atenção.  Nos Estados Unidos a eleição tem duas etapas: o voto popular e o voto do colégio eleitoral. O candidato que ganha em uma determinada zona eleitoral, mesmo por margem mínima, arrebanha todos os votos e os leva para o colégio eleitoral nacional. Nas últimas eleições, o Presidente eleito (Trump) teve 46% do voto popular, mas 304 votos no colégio eleitoral; o perdedor (Hillary Clinton) teve 48,2% do voto popular, mas apenas 227 no colégio eleitoral.  Estima-se que apenas 62% dos eleitores inscritos compareceram às urnas e nem por isso há reclamação. Os que não votaram – cerca de 83 milhões de eleitores – são bem mais que os 63 milhões que votaram em Trump.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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