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Um ocaso de acasos

Jurani Clementino. Publicado em 22 de agosto de 2019 às 11:25

Tenho dito, repetidamente, que a minha vida tem sido uma sucessão de acasos. Naturalmente que com sorte e umas doses de esforço e competência. Mas me recuso a entender o roteiro dos meus dias vividos, até aqui, enquanto uma linha racionalmente traçada e milimetricamente pensada. Nada disso! As coisas simplesmente acontecem. Digo isso para explicar que esta semana, enquanto recebia em minha casa a agradável visita de um primo querido, abusado, mas querido, e ouvíamos juntos diversos artistas da MPB, pelos quais temos grande admiração, entre eles Belchior, Caetano, Chico César, Bethânia, Zé Ramalho e Raimundo Fagner, comentei o quanto gostava dos shows destes músicos, especialmente das letras e interpretações daquele conterrâneo da cidade de Orós – CE. Do quanto sentia falta da presença dele durante o Maior São João do Mundo etc. No domingo, recebemos meia dúzia de amigos para almoçar com a gente e comentamos inclusive que Fagner deveria participar de eventos como o Festival de Inverno de Campina Grande…

Bem, algumas horas depois dessas conversas, recebi um telefonema de um número desconhecido me procurando para participar, urgentemente, de um programa de entrevista na televisão, cujo entrevistado era exatamente o Raimundo Fagner. Do outro lado da linha estava o diretor do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB, o professor Geraldo Medeiros. Um apaixonado pelo trabalho de Fagner, colecionador de discos, livros, entrevistas, recortes de jornais sobre o artista. Educadamente, o professor me disse que entendia, diante da urgência do convite, caso eu não pudesse participar da entrevista uma vez que ela iria ocorrer dali a pouco mais de duas horas. Por um instante imaginei que alguém devia ter desistido de participar daquela conversa com o Fagner e eu teria sido chamado às pressas. Bem, aquilo pouco importava e eu não perguntei sobre esses detalhes. Afinal jornalismo tem dessas coisas. Apenas achei que teria pouco tempo para me preparar. Até para tomar um banho e vestir uma roupa já que não me encontrava em casa. O fato é que, lisonjeado pelo convite, topei o desafio.

Corri pra casa e lembrei que acabara de sair uma biografia sobre o cantor cearense e na condição de biógrafo poderia explorar isso na entrevista. Também recordei sua parceria com nomes importantes do cenário musical e poética brasileiro, como o pernambucano Luiz Gonzaga e o cearense Patativa do Assaré e que podíamos falar sobre isso. Imaginei que por sermos cearenses e de cidades próximas (Orós fica a pouco mais de 200 km de Várzea Alegre) isso também pudesse nos aproximar, enfim… pensei mil coisas num espaço temporal de meia hora, rascunhei algumas perguntas e me dirigi para a entrevista.

Além do professor Geraldo, dividi a bancada do programa “Ideia Livre”, da TV Itararé (afiliada da TV Cultura) com o jornalista e apresentador Arimatéia Sousa e com o poeta, professor e Reitor da UEPB, Rangel Júnior. Raimundo Fagner chegou muito simpático e durante a gravação respondeu a todas as nossas perguntas sem grandes problemas. Foi uma conversa de pouco mais de uma hora. Parcerias, discos, biografia, relação com artistas da Paraíba e sobre suas posições polêmicas foram os assuntos tratados. Ele só pediu para que não falássemos sobre política. Ainda bem, né? Os interessados em assistir esse bate papo, gostaria de informar que o programa vai ao ar na próxima terça-feira, às dez e meia da noite na TV Itararé. Depois será disponibilizado no Youtube. Ah, o meu primo não me acompanhou durante a entrevista porque tinha ido para o shopping, realizar um desses encontros casuais com uma “mina”, agendado pelas redes sociais. Moderninhos, eles! (risos)

Vamos em frente, sem saber o que nos espera no dia de amanhã. E com a certeza de que são os acasos que movem a humanidade. Vai que, dia desses, alguém me convida para entrevistar Maria Bethânia!? Sobre ela, sei bem mais do que sobre Fagner. Professor Geraldo, muitíssimo obrigado pelo convite. Foi uma experiência incrível.

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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