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Um foco nos municípios

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 23 de janeiro de 2019 às 12:20

O Brasil é realmente uma terra de contrastes. Tudo o que foi bem feito ou é bem efeito no mundo, e que poderia ser tomado como exemplo, é solenemente ignorado por nós como se tivéssemos o monopólio da sabedoria. Em termos de desenvolvimento regional criamos a ideia de fortalecer o governo central e desprezar as regiões e o município, onde realmente vive o cidadão. O que se convencionou ser chamado como benchmarking, uso sistemático e comparativo das experiências de outros, não tem sido uma boa prática de gestão pelos nossos governantes.

E essa ignorância que tem permeado quase todos os governos de que temos notícia e que contaminou os governos estaduais em quase sua totalidade, fica bem evidenciada nos melhores estudos sobre desenvolvimento humano em nosso país. Os gestores públicos, em sua grande maioria, não estão muito preocupados com o que acontece nos menores ou mais afastados municípios, a não ser na época da eleição. Pouco adianta trazer algumas obras que, em si, não promovem verdadeiramente o desenvolvimento.

As ciências matemáticas são infalíveis. A estatística pode incomodar, mas os males que aponta são incontestáveis. Essa dura realidade é mostrada com letras e números nítidos pelos resultados.

No mundo e no Brasil, instituições as mais sérias, tanto de governo como privadas, produzem regularmente estudos e pesquisas sobre os índices de desenvolvimento humano de um país ou de regiões.

No Brasil não é diferente. Ao lado do IBGE, da Fundação Getúlio Vargas, padrões internacionais de competência, temos a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN), que há mais de dez anos vem realizando um trabalho seriíssimo de análises sobre o desenvolvimento dos municípios brasileiros. Esses estudos confirmam as assimetrias no crescimento do Brasil que temos, repetidamente, trazido aos que nos acompanham.

“O Brasil continua sendo um país fortemente dividido, com extremos cada vez mais evidentes. O ranking dos 500 municípios mais desenvolvidos foi composto, essencialmente, por cidades das regiões Sudeste (50%) e Sul (41%). A maioria é de municípios de São Paulo (40%), Rio Grande do Sul (18%) e Paraná (12%). A Região Centro-Oeste ficou com 7% dos municípios. O Nordeste ocupou apenas oito posições entre os 500 maiores IFDMs do país.”

 “O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) compreende três áreas: 1) Emprego & Renda, 2) Educação e 3) Saúde, e utiliza-se exclusivamente de estatísticas públicas oficiais. Sua leitura é simples: o índice varia de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento da localidade. Além disso, sua metodologia possibilita determinar com precisão se a melhora relativa ocorrida em determinado município decorre da adoção de políticas específicas, ou se o resultado obtido é apenas reflexo da queda dos demais municípios.” Para facilitar a compreensão faremos a escala de 0 a 10.

Municípios com IFDM entre 0 e 4 ► baixo estágio de desenvolvimento; entre 4 e 6 ► desenvolvimento regular; entre 6 e 8 ► desenvolvimento moderado; entre 8 e 10 ► alto estágio de desenvolvimento.

Saúde básica ainda não é realidade para 77 milhões de brasileiros.

A análise regional mostra que Norte (48,0%) e Nordeste (41,1%) são as regiões com maior percentual de municípios com baixo desenvolvimento em Emprego & Renda.

“Em 2015, o IFDM Brasil recuou ao menor nível desde 2011, refletindo, sobretudo, o desempenho negativo da vertente de Emprego & Renda, que anulou o progresso observado nas áreas de Educação e Saúde. Ou seja, a crise custou ao menos três anos ao desenvolvimento dos municípios que, em 2016, ficou abaixo do nível observado em 2013.”

O que se considera na elaboração do IFDM

Paraíba Online • Um foco nos municípios

Principais resultados do IFDM 2018 (ano base 2016)

Paraíba Online • Um foco nos municípios

A mediana (valor do meio) dos municípios da Paraíba 6,188) está na faixa de desenvolvimento moderado.

Paraíba Online • Um foco nos municípios

No IFDM geral João Pessoa e Campina Grande ocupam a 722ª e a 1522ª colocação no Brasil, respectivamente. Em emprego e Renda a 96ª e a 383ª colocações. Em Educação 3616ª e 3.765ª; e, em Saúde as posições 1.406ª e 2.618ª. João Pessoa é o 23º município brasileiro em população e Campina Grande o 57º.

Com a palavra nossos governantes.

RESTOS A PAGAR

A construção da Ferrovia Transnordestina foi iniciada em 2006, com previsão de inauguração em 2010. São 1.753 quilômetros de extensão atravessando 81 municípios do Nordeste, dos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco (não se sabe porque Paraíba e Rio Grande do Norte ficaram de fora). O orçamento original era de R$ 4,5 bilhões, sendo hoje superior a R$ 12 bilhões. A obra está praticamente abandonada. Em uma década apenas 600 quilômetros de trilhos foram colocados Pilhas de dormentes e nos canteiros de serviço não há ninguém trabalhando. Treze anos depois de iniciada,  trem que é bom, nada!

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