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Um dândi tardio?

Josemir Camilo. Publicado em 24 de agosto de 2017 às 8:17

Por Josemir Camilo de Melo (*)

A Academia Paraibana de Letras realizou, no dia 10/08/2017, uma sessão em homenagem ao crítico e seu patrono (bem como da Academia de Letras de CG), Virginius da Gama e Melo. Uma mesa eclética, composta de professores, jornalistas, poetas e críticos literários, em que pontificaram Willys Leal, Hildeberto Barbosa, Gonzaga Rodrigues, poeta Jales, Raquel Nicodemos, Sérgio Castro Pinto (no lugar de José Octávio, que teve de se ausentar da cidade), presidida pelo presidente da Casa, Damião Ramos.

Chamo de dândi, mas posso estar errado. A professora Marta Nicodemos, que foi sua aluna de Letras, em 1962, na cadeira de Teoria Literária (cargo, que segundo outro depoente, foi indicado por fora de uma lesta sêxtupla, pelo reitor de então), vestia-se de branco e usava sapatos de duas cores. Um ‘malandro’, da cultura? Um dândi fora do tempo? Ou uma crítica velada ao populismo, que se vestia todo de branco e ele era o avesso?. Um lord ‘freyreano’ perdido nos manguezais do Varadouro?

Willys Leal destacou o empenho de VGM em balançar a cultura local, agitar, tirar do marasmo, tanto que conseguiu trazer, para João Pessoa, um evento de grande magnitude: o 3º Congresso Brasileiro de Estudos (Literários?). Foi, ainda, ideia do crítico a criação de um Conselho Estadual de Cultura. Participou, também, da Geração 59, da Geração Sanhauá.

Virginius foi dissecado quase totalmente, como prof. de Teoria Literária, crítico ensaísta, romancista, que escrevia, tanto em A União, como no Jornal do Commercio, do Recife, onde publicou seu ensaio sobre Graciliano Ramos (1964?). Já seus dois romances foram vistos por José Octávio de Arruda Mello, como romances históricos, ou novelas, neste caso, quanto à densidade. VGM era homem do sistema? Falava no dia da Pátria e do Soldado. No entanto, protegeu perseguidos do regime.

Hildeberto Barbosa pediu uma revisão crítica da obra virginiana. Deu destaque ao seu ensaio, o Romance Nordestino de 30, dizendo que VGM se posicionara sobre Freyre, alegando que o sociólogo buscava “O estilo de uma civilização”. Traçou um paralelismo entre as observações críticas de VGM, como posições antípodas ao estruturalista Luís Costa Lima, sobre José Lins do Rego, em que aquele diz que o autor de Menino de Engenho era apenas um bom narrador. O crítico Hildeberto recomenda ver o ensaio de VGM (prefácio) em Pureza, na coleção Sagarana, sobre José Lins.

Saí das homenagens com uma sensação de uma lacuna, de uma ponte, ou não ponte, entre Vinícius e o “Palhaço Degolado”, e não menos crítico, Jommard Muniz de Brito, (aliás, mais ácido que VGM e, decididamente, anti-freyreano), que também tem agitado este corredor Paraíba-Pernambuco.

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

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