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Treze: Tradição X Sobrevivência

Roberto Hugo. Publicado em 6 de dezembro de 2016 às 23:52

Foto: Paraibaonline

Por Roberto Hugo

O dilema está posto. Vender o estádio Presidente Vargas ou acelerar a crise.  Priorizar a tradição ou entrar na galeria dos que marcaram época no futebol e foram engolidos pelo tempo.  Os exemplos do Ypiranga e Paulistano servem para uma reflexão.

O Treze tem uma divida impagável que gira em torno de R$ 4 milhões, e mais R$ 2 milhões parcelados na Timemania. Na fila de espera tem mais ações trabalhistas a serem contabilizadas. Cada ano a despesa é maior do que a receita, e a solução pra fechar esse balanço depende do seu conselho deliberativo e das ações coerentes dos seus dirigentes.

Uma empresa acaba de formalizar o interesse na compra de  toda a área do PV. Em pagamento, ofereceu uma terreno de 6 hectares no entorno de Campina Grande, com 4 campos de futebol,  hotel, academia, piscina, instalações para a administração, assumindo todos os débitos do clube, e ainda dando uma aporte financeiro  num período de 1 ano.

Essa proposta será apresentada numa reunião do Conselho Deliberativo, e se não houver acordo, as chances da atual diretoria renunciar são favas contadas. Os que se apegam a tradição não aceitam a negociação, mas não apontam uma saída para um clube que caminha a passos largos para o fundo do poço.

O estádio Presidente Vargas atualmente só é usado para jogos de pequeno porte. Os clássicos contra Campinense e Treze são disputados no Amigão. Atualmente o Treze tem 52 garotos nas divisões de base,  e não possui um lugar adequado pras  atividades.

Os grandes clubes do país só escapam dos déficits financeiros, quando vendem atletas formados na base, mesmo recebendo gordas cotas da Globo e dos demais patrocinadores. Logo,  um clube sem cotas  e sem calendário como o Treze  não pode sobreviver sem buscar  a alternativa da formação de novos valores. E no PV isso é impraticável.

Quando aos dirigentes, enquanto a CBF não criar um calendário para o retorno do campeonato do nordeste, com duas divisões e duração de quatro ou cinco meses de disputa, não adianta correr atrás das series D, C e B  porque todas são  deficitárias. 90% dos clubes que as disputam, não fecham suas contas.

Por enquanto o caminho é disputar apenas o campeonato paraibano, buscando vagas na Copa do Brasil e Copa do Nordeste. Sabemos de que é duro o torcedor compreender essa realidade, mas quem sabe onde o sapato aperta, entende o que estamos afirmando. Quanto a disputa entre tradição e sobrevivência, vale refletir sobre o que disse o poeta: “O coração não entende o compasso do pensamento”.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Roberto Hugo

* Comentarista esportivo.

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