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Trabalho e emprego no Brasil

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 5 de junho de 2019 às 10:34

A divulgação periódica pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dos números sobre o emprego, sempre atiça uma discussão que se tem revelado estéril, não conduzindo a uma abordagem objetiva que leve em conta a complexidade da questão, os aspectos socioeconômicos e a busca de soluções. É o lenga-lenga de sempre: um lado diz que a complicada situação é culpa do governo atual enquanto este argumenta que o problema vem de longe. E ninguém busca, objetivamente e sem paixões estéreis, um caminho.

O fato é que o taxa de desocupação no trimestre encerrado em abril de 2019, de 12,5%, continua acima do verificado nos mesmos períodos de 2012 a 2016, sendo menor apenas que os números de 2017 e 2018.  Entende-se população desocupada como as pessoas que não tinham trabalho, num determinado período de referência, mas estavam dispostas a trabalhar. Ao todo eram 13,2 milhões de brasileiros.

No entanto, no trimestre de fevereiro a abril de 2019, havia 28,4 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil. Estão neste grupo, os desocupados, já falados, os subocupados (que vivem a fazer que o chamamos de “bico”) e os desalentados (os que deixaram de procurar emprego).

O universo do trabalho compreende ainda, os funcionários públicos, os empregadores, os que tem seu próprio negócio, porém sem empregados, e os não remunerados (que exercem atividades religiosas, filantrópicas, estagiários, etc.). A força de trabalho total no trimestre de fevereiro a abril de 2019, foi calculada em 105 milhões de pessoas.

Para os que trabalham na iniciativa privada, o rendimento médio real foi de R$ 2.295, em forte contraste com os servidores públicos. No serviço público a média vai de aproximadamente R$ 10 mil, no executivo e judiciário, a R$ 19 mil no legislativo.

Enquanto não houver um entendimento quanto às reformas que o país tanto necessita, ficaremos patinando no mesmo lugar. Sem reformas previdenciária e tributária, sem a garantia da segurança jurídica dos contratos, sem a retomada dos investimentos, não teremos capacidade de melhorar o cenário macroeconômico que possibilite a retomada do crescimento do PIB. Estamos condenados a essa gangorra de resultados pífios.

Um aspecto que não tem sido motivo de preocupação dos nossos dirigentes públicos são as transformações tecnológicas que afetam o mercado de trabalho. Muitos dos desempregados de hoje jamais conseguirão empregos como os que perderam, simplesmente porque esses empregos não existem mais ou estão fadados a desaparecer.

Pesquisa do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações, da Universidade Nacional de Brasília, considerando 2.602 ocupações brasileiras, indica que 54% dos empregos formais do país estão em risco por conta de robôs e computadores.

A previsão é de que, até 2026, 30 milhões de vagas com carteira assinada seriam fechadas se todas as empresas resolvessem substituir trabalhadores por essas máquinas. O mercado de trabalho está mudando rapidamente. Novas tecnologias fecham antigos empregos e abrem novas oportunidades.

O relatório da UNB aponta que “o desafio do governo brasileiro em um futuro próximo será lidar com esse cenário”. A palavra de ordem deveria ser requalificar as pessoas para trabalhar em outros ramos de atividade de menor exigência de automação ou procurando qualificá-las para novas ocupações que surgirão no mercado.

Entre as profissões apontadas com mais chances de serem substituídas pela máquina e probabilidade de extinção maior que 99% estão: jornaleiro, despachante aduaneiro, digitador, controlador de entrada e saída (em bancos, supermercados, etc.), ascensorista, fisioterapeuta traumato-ortopedico funcional, reparadores de relógios, enólogo, gerente de vendas, agente de segurança, mecânico de manutenção de aparelhos esportivos e de ginástica, assistente de laboratório industrial, detetive profissional, açougueiro, trabalhador de serviços de limpeza e conservação de áreas públicas, taquígrafo, etc.

Já das profissões com menos chances (inferiores a 1%) de serem substituídas, estão: auxiliar de laboratório de análises clínicas, babá, promotor de justiça, engenheiro de telecomunicações, psicanalista, professor de nível médio de educação infantil, engenheiros de sistemas de computação, físico de materiais, analista de suporte  computacional, diretor de criação, diretor comercial, técnico de enfermagem, assistente de operações audiovisuais, estatístico, agente de ação social, médico oftalmologista, artesão de material reciclável.

A pesquisa é importante, mas poderia ser ampliada, construindo-se um mapa estratégico que leve em conta as peculiaridades das diversas regiões do Brasil, a diversidade do que produzimos e as respectivas demandas de mão-de-obra, evitando-se a proliferação de cursos com excesso de oferta que, em última análise dão origem a  muitos profissionais sem emprego ou baixo nível salarial em determinadas categorias.

Nesse intento, o trabalho seria otimizado pela adesão dos estabelecimentos de formação profissional como as Universidades, os Institutos Federais, as instituições do Sistema “S” – Senai, Senac, Senar, Sebrae e Sest, que passariam a trabalhar mais numa perspectiva do mercado futuro, com aproveitamento maior dos alunos ali formados.

Eis o grande desafio: No futuro continuará existindo trabalho, mas isso, necessariamente, não significa emprego.

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Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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