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Tolos e maliciosos

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 9 de janeiro de 2019 às 11:30

A discussão sobre questões políticas tem ofuscado os problemas econômicos e sociais, tomado tempo de muitos jornalistas de poderosos meios de comunicação, que revelam, nem sempre de maneira sutil, suas frustrações quanto ao resultado de último pleito para a Presidência da República. Quase todos eles, durante os governos anteriores, pouco se mostraram tão cáusticos nas suas análises de fatos de então, os escândalos que abalaram a nação e nos levaram à beira do caos.

Assiste-se no Brasil de hoje curioso debate em torno de um governo que mal começou e já está sendo duramente criticado pelo que não fez e cobrado pelo que deveria fazer, na opinião dos críticos, numa manifestação de intolerância e de imprudência fora dos limites.

Aos incautos, poderia ser receitado o que disseram grandes pensadores do passado, a respeito de temas tão presentes na atual quadra da vida nacional. Citaremos apenas dois, de duas correntes de pensamento aparentemente antagônicas, mas que, no fundo não são: Baltasar Gracián, jesuíta espanhol nascido em 08 de janeiro de 1601, que escreveu a “Arte da Prudência” e Voltaire, filósofo francês de 21 de novembro de 1694, autor do “Tratado sobre a Tolerância”. O primeiro era padre e o segundo, dele diziam ser ateu, tendo escrito uma das mais belas páginas da literatura francesa, no capítulo XXIII – do seu Tratado: A oração a Deus.

Os dois retratam, magnificamente, os conflitos humanos, os seus trágicos resultados, quase sempre maltratando os mais fracos, trazendo sempre uma palavra que deveria servir de inspiração aos homens de melhor índole.

Evidentemente não se pretende no Brasil contemporâneo que se consagrem os princípios de unanimidade de opinião, muito comuns nos regimes opressores de ontem e de hoje, vastamente conhecidos, que infelicitaram e ainda infelicitam o mundo e que alguns insistem em trazer para cá.

 “Aprovar tudo costuma ser ignorância; reprovar tudo, malícia.” (Disse Gracián). Isso se aplica com precisão a um regime democrático

Já Voltaire diz:  “É difícil libertar os tolos das amarras que eles veneram”.

A tormenta que se abateu sobre o Brasil não é de hoje. Foram anos e anos de enganação, desconstrução, corrupção desenfreada, roubalheiras inimagináveis, planos faraônicos criados apenas como pano de fundo para tenebrosas transações. E, o que é pior, condenando as parcelas mais pobres, as mais carentes, a serviços públicos de baixa qualidade, escolas que colocam o país em situação vexatória nas avaliações internacionais, insegurança nas estradas, nas ruas e nas casas, assistência à saúde deficiente, uma das piores taxas de desigualdade na distribuição da renda, alto nível de desemprego.

Não se pretende fazer apologia do Governo atual, por não apresentar ainda resultados concretos – são apenas oito dias de gestão. Reconheçamos que muitas bobagens têm sido ditas e informações desencontradas se repetem. Mas, avançar o sinal, e culpá-lo meramente por questões ideológicas, é demais.

Onde estão as sugestões dos sábios e críticos, às vezes com argumentos de baixíssima consistência? Serão tolos e maliciosos? Qual a avaliação do que foi feito de errado nos governos passados, levando-nos a não repetir os equívocos?

É inspirado nessa realidade que trazemos uma modesta colaboração aos que falam com tanto “ardor cívico”, refastelados no confortável sofá de sua insensibilidade.

A partir de hoje, como nota de rodapé do nosso comentário semanal, criamos uma janela chamada “restos a pagar”, inspirada nas normas orçamentárias do serviço público, para “contas não pagas”. Na nossa metáfora “contas não pagas” são as obras de governo, não concluídas que, no geral serviram apenas como fonte de enriquecimento indevido de muitos.

Restos a Pagar

Começaremos com o Projeto do Trem Bala, do qual um segmento deveria ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, com transporte ferroviário de altíssima qualidade. Anunciado em 2009 com pompa e circunstância, nunca saiu do papel. Para o trem que, provavelmente, jamais existirá, foi constituída uma organização estatal, a Empresa Logística de Planejamento (ELP), que nada fez, e tem na sua folha de pagamento 111 cargos preenchidos sem concurso público (muito democrático, convenhamos). O Orçamento da ELP do ano passado, previa recursos da ordem de R$ 70 milhões. O salário de apenas 17 comissionados, tem uma média de R$ 23 mil/mês.

 Como deve ser cobrada essa conta?

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