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Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 4 de agosto de 2018 às 13:55

Quando a gente está com alguma enfermidade, a disposição falha e se mexe em muita “coisa”. Ao abrir o baú de recordações, encontrei “Vidas Secas”, livro sugerido ao meu querido filho pela Profa. Ângela B. de Castro.

Como Graciliano cultuou o Memorialismo, vasculhei algumas anotações, revendo Prof. Dr. Wilson C. Guarany afirmando (em sala de aula) que a mensagem depende de sua organização interna, até porque um texto obtém literalidade, a partir de como construído e não do assunto em si. Aliás, Dr. Guarany era adepto de Eikhenbaum.

Fui revirando as páginas de “Vidas Secas”, reencontrando o estilo cortante falando a terra, homens e bichos. Compreendi, então, a paixão de Marinheirinho pela cadela “Baleia”: querida da família de “Fabiano” e amada por crianças. Revi “Sinhá Vitória”, uma intelectual lutadora, casada com o ignorante “Fabiano”.

Não fui reler o alto nível social de “Vidas Secas”. Não.

Apenas, a boa “Sinhá Vitória” despertou-me para outras personagens femininas, construidas por mestre Graça… Bem que poderia focar o fatalismo, a vã espera, a escravização, o tom agônico e outros signos graciliânicos. Preferi o tema mulher.

Lá vão as despretensiosas anotações: em “Caetés”, Luiza é prostituta e a dona da pensão é amante de um malandro. Dona Glória, leitora de bisbilhoterias, vive “pescando” a vida alheia, no romance “São Bernardo”; Madalena, esposa de Paulo Honório, é a ex-professora socialista que dá toda a “fortuna” de Paulo aos pobres, quase levando “São Bernardo” à falência e a velha Margarida, aparentemente boa, vive rapando as pernas com cacos de telha.

Esses tabus de conduta são recorrentes em “Angústia”, onde Marina é prostituta que aniquila Luiz da Silva;sua mãe é alcoviteira de homens; Dona Rosália parece “vaca no cio”; Vitória, empregada de Luiz da Silva enterra moedas no quintal, enfim nada escapa ao olho clínico do narrador…

Até em “Memórias do Cárcere” e “Infância” esposa e mãe respectivamente, não escapam das descrições impressionistas do mestre brasileiro/ alagoano.

Se o discurso feminino do Graça reveste-se de inquestionável atualidade, será em “Memórias do Cárcere” que, estranhando a ausência de provas de sua prisão, a feição política, a compreensão humana, o humor e sobretudo, o ideário Socialista superam o localismo urbano.

Quanto à narrativa MEMORIALISTA, em Graciliano Ramos, já consta do meu Projeto “MEMÓRIAS” (bem antigo…)

RENOVARE.

A I Seccional PEN da Paraíba reabrirá suas atividades públicas/2º semestre 2018, próximo 27 de agosto (segunda-feira, às 17h, na FIEP, gestão – Buega Gadelha).

Além dos programas renovadores que serão anunciados, a pauta desenvolverá o tema “Para onde irão o Brasil, os Estados e os Municípios?”.

Se o empoderamento dos políticos remete ao “dólar”, o miseravelmente da população remete às graves incertezas.

Já confirmadas as presenças das(os) Painelistas: Lourdinha Ramalho, José Mário Silva Branco, Conceição Araújo, Políbio Alves, Fátima Coutinho e Ana Letícia Lira(uma criança).

Apoio: Alana Fernandes, Hilma Loureiro e Horácio de Almeida Lima.

Confiamos na indispensável presença de Campina Grande!

Como sempre, o ingresso é a doação de um simples pratinho. Antecipados agradecimentos.

AOS QUERIDOS LEITORES.

Sejam um SÓCIO do PEN. Somos um Clube sem fins lucrativos e sem apoio dos Poderes públicos e empresariais. Gratíssimos.

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