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Tessituras

Elizabeth Marinheiro. Publicado em 17 de dezembro de 2017 às 7:48

Por Elizabeth Marinheiro (*)

Nem sempre “os ossos do ofício” nos permitem uma boa conversa em torno de nossa área de conhecimento. Por incrível que pareça, José Mário e eu conseguimos abordar o fenômeno literário, “en diagonal”, como diria Kristeva.

Começamos revisitando os clássicos da Teoria Literária, penalizadas por “gente fina”. Repassamos obras de Vitor Manuel, Nelly N. Coelho, Massaud Moisés, entre outros. Claro, são Autores que alicerçam qualquer estudo que se pretenda sério.

A conversa, mesmo despretensiosa, incluiu a importância de Kristeva, Merquior, Costa Lima, Barthes, Heidegger, Vattimo etc. Não que sejamos doutores nesses campos. Jamais!

Entretanto, releituras de Kristeva nos fazem percebê-la afirmando-se ou negando-se em cada obra. A exemplo, enfatizamos os novos conceitos, já anunciados na Semanálise: o valor da Semiótica; a função de atores e actantes; a crítica ao dialogismo baktianiano e, sobretudo, a renovação das questões referentes ao idealogema (cronótopo?…), enfim, uma busca da significação romanesca, onde se sublinha a Semiologia e a História.

Mais tarde, Kristeva passaria para a Dialética, problematizando Hegel e o chamado materialismo da poética ficcional. “Poly-logue” nos prova que a Antiguidade, a Renascença a Modernidade e outros discursos robustecem inúmeros processos de simbolização. Portanto, será ela uma das pioneiras no combate ao racionalismo, donde procede a pluralização das narrativas. Em sendo contra a razão ocidental, ela acolheu o diálogo das linguagens, a desordem, o dissimilar, o marginal.

Se Barthes apresenta o evoluir do seu Pensamento em cada uma das suas obras, o mesmo ocorre com Kristeva (evidente que nos referimos aos livros que costumamos consultar). Barthes mais legível e Kristeva meno transparente.

Omitindo outras reflexões (este texto não é Ensaio…) demos um passo e chegamos ao Pós-modernismo, sem esquecer certos postulados dos grandes Formalistas Russos.

Bem estudado por Ítalo Moriconi, Habermas, Linda Hutcheon, Jameson, Lyotard, Merquior, Wander Miranda, Rouanet, Souza Santos, Teixeira Coelho, Vattimo, George Yúdice etc estamos convictas de que o Pós-moderno não é “um pós-tudo” e sim uma “rotação de signos”, abrigando a “escritura da diferença” e a diferença da escritura.

Vale dizer que Barthes e Kristeva são vetores para a revalorização da humanidade, cujo labirinto envolve a heterogeneidade do ser, as várias formas de niilismo, (com Vattimo, tem-se o “niilismo ativo” e não a metafísica de Nietzche enquanto “morte de Deus”), as práticas discursivas do dito e não dito etc.

Mário, indiferente às chamadas “literaturas pós-autônomas” e aos “gender”, volta-se, preferencialmente, para o Ser. Sabe o Imortal campinense que “o outro não existe”, porque ele é nós mesmos, ensina O. Paz em seu “Labirinto da Solidão”. Desembarcamos no universalismo identitário.

Literaturas “pós-autônomas”?… “gender”?… Modismos? Não sabemos… Sabemos que o Pós-moderno engloba recursos audiovisuais, comunicação de massa (cf. M. Sodré e R. Ziebbermann), grafitti, moda, formas simples, gêneros biográficos, finalmente tudo aquilo que já está pontuado em Joelles, Kristeva, Barthes.

Aí, sim, Mário lembra os múltiplos questionamentos acerca da alteridade. Então, resolvemos estacionar o “papo” na companhia de HEIDEGGER.

A hermeneutica heideggeriana propõe uma prática meditante que engloba inúmeras questões: diferença entre ser e ente; a finitude das decisões; a passagem para o poético com dimensões ontológicas; o “eu sou” do existir cotidiano; o si mesmo do eu sou, fundando a subjetividade do ser no mundo; a temporalidade extática; o ente “que nós mesmo somos”; as várias etapas para a passagem do poético; a teoria do tempo porvindouro, já que o filósofo exoriza o esquecimento do Ser.

Com Heidegger, um dos ingredientes da proética meditante é a renúncia da vontade. “Nada devemos fazer, somente esperar”

Mário e eu ficamos com a interrogação…

TEREZINHA – JOSÉ MOISÉS – JÚNIOR – RFCC

Nossa próxima crônica celebrará o aniversário de Terezinha Diniz, o novo livro do Médico José Moisés, a criação do PEN CLUBE JOVEM por Júnior e o apostolado de Nilce França e sua gloriosa equipe. E ao meu leitor, todo meu amor.

(*) Ensaísta

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Elizabeth Marinheiro

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