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Terra de belos contrastes

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 24 de outubro de 2018 às 9:00

O Brasil é uma terra muito interessante, mais rica do que pode explicar nossa vã filosofia.

O atual momento por nós vivido merece séria reflexão e pode indicar novos caminhos para mudar realidades que nos incomodam.

O calor das disputas, muitas vezes contendo ideias não bem compreendidas, antagônicas, que não representam nem trazem o bem comum, serve como uma espécie de biombo a ocultar a realidade, através da manobra de enganar pessoas, com objetivos inconfessáveis, transformando-as em simples objetos sem discernimento.

Dois fatos incontestáveis que ocorrem simultaneamente no Brasil, podem ser aduzidos como contribuição a esta reflexão: a crise na economia e a disputa eleitoral ora em curso, duas faces da mesma moeda. Cara ou coroa você escolhe.

O Brasil vem atravessando talvez a maior crise econômica de sua história e a face mais cruel disso é o desemprego que ainda afeta mais de 13 milhões de pessoas, mais os desocupados que desistiram de procurar emprego e que procuram se virar, às vezes da pior forma possível, ao crime organizado. Futuramente vai ser possível, certamente, estabelecer a conexão entre o desemprego e o crime.

 Mas vamos à primeira face da moeda, um pouco da economia.

O primeiro fato de relevo, no nosso entendimento, é a questão do emprego.

Os números divulgados pelo Ministério do Trabalho sobre a geração de empregos, no Brasil, em setembro, revelam algo que, no calor da disputa eleitoral, não é observado pelas pessoas. A realidade não é tão sombria como imaginávamos e o Brasil revela animadora capacidade de defesa e recuperação perante fatores ou condições adversas.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego, foram gerados em setembro 137.336 novas contratações em todo o país, totalizando 719.089 em 2018.

Todos os setores de atividade, com exceção da agropecuária, apresentaram crescimento. Verificou-se que as cinco regiões em que se divide o país apresentaram saldo de emprego positivo: Nordeste 1,00%; Sudeste 0,19%; Sul 0,25%; Norte 0,59%; e Centro-Oeste 0,25%.

Na Paraíba foram gerados 2.083 empregos, elevando o total do ano para cerca de cinco mil; João Pessoa atingiu a marca de 125 novos empregos para um total anual de 1.965 e Campina Grande, gerou 663 novas ocupações ante um total de 1.107 em 2018. A média de crescimento de Campina Grande foi maior do que a da capital (1,29% e 1,17% respectivamente).

Há luz no fim do túnel.

Na outra face da moeda das maiores preocupações, está a questão política.

Primeiro uma ressalva. Sem fazer julgamento dos atuais governantes, o fato é que os que estão a dirigir o país têm muitos pecados cometidos no passado, e devem pagar por isso severamente. Mas não são registrados novos escândalos que o vigilante cidadão possa trazer à discussão.

Após a era Vargas, marcada no primeiro instante por uma ditadura fascista com todos os defeitos sobejamente discutidos, e que depois evoluiu para dias mais calmos, o Brasil experimentou um breve lampejo de democracia, logo apagado em 1964. No período pós movimento de 64, na expressão de um ministro do Supremo Tribunal Federal, digamos, nem tudo foram flores, mas também não só espinhos. Por exemplo, o mar territorial foi estendido para 200 milhas, ante a pressão internacional, em março de 1970. E nesse território está o pré-sal, hoje bandeira de todos.

Num segundo período, com a redemocratização e a nova constituição em 1988, gradativamente as agremiações políticas evoluíram no estabelecimento um modelo de domínio da máquina governamental de forma à perpetuação no poder, com os vícios e erros dai decorrentes: coalisão de partidos sem nenhuma identidade ideológica e o assalto ao dinheiro público.

Traço comum nessa república pós 1945, foi a ligação do Governo com os formadores de opinião, então restritos aos meios formais de comunicação da época. Os veículos que aderiram ao poder, enriqueceram e cresceram grandemente e isso perdurou durante muito tempo e hoje ainda há alguns traços; mudam de lado com facilidade, na descarada tentativa de manipular a opinião pública e continuar sugando do erário.

O erro fundamental desse conúbio entre meios de comunicação e os governantes, foi ignorar o peso das alterações nos meios de informação, nas novas tecnologias. Se antes o cidadão corria para casa para assistir o noticiário da noite, hoje passou a usar as redes sociais para retratar suas próprias opiniões. Não apenas TV, mas, principalmente, Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter, etc.

A tendência nunca bem conduzida de induzir a sociedade a seguir tudo o que era determinado de cima para baixo, ignorando os princípios da liberdade do indivíduo vai sendo desmanchada, conduzindo ao descrédito os antigos influenciadores da opinião. O cidadão não mais como presa fácil de interesses que, quase sempre vão contra os seus próprios desejos. A opinião pública, formada a partir do indivíduo e não mais fruto de manipulação. A consagração da liberdade. São os princípios, que não morrerão jamais, do Iluminismo europeu e das revoluções americana e francesa, a afirmação da democracia, forma imperfeita de convivência social, mas insubstituível.

O Brasil tem jeito, sim. E está mudando para melhor. Depende de você, pequena gota de água. Se una a outras que constituem a maioria e façamos disso realidade. Ouça apenas as suas próprias convicções, vote segundo sua consciência e não pelo que os “salvadores da Pátria” tentam impingir, afinal eles mudam segundo seus proveitos de ocasião.

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