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Teimosa! Não aceito os nãos

Patrícia Alves. Publicado em 2 de fevereiro de 2018 às 15:25

Foto: Ascom

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Tenho três irmãos, sou a única filha de uma professora, que passava três turnos ensinando para poder sustentar estas quatro boquinhas nervosas.

Na minha casa, como na maioria dos lares daquela época (não vou contar minha idade), só tinha uma TV, que ficava ostentosamente posicionada na sala, o que fazia com que a nossa família estivesse sempre no mesmo ambiente.

Para quem tem família grande, sabe que vários corpos de irmãos no mesmo espaço sempre geram atritos, pois sempre tem um empurrrãozinho, sempre tem uma arenguinha, sempre tem um “MUDA O CANAL”.

E aqui chego a moral desta história, explicando porque sou boa de briga. Acho que deve ser até uma das razões que eu me tornei jornalista, aliás, muito mais que jornalista, consegui ser uma comunicadora.

Para você entender, no mesmo horário passava a novela e um clássico seriado (não existia Netflix) chamado de Forgão Classe A, era sempre às quintas, às 20h.

Eu, óbvio, queria assistir a novela, já meus queridos três irmãos, preferiam o Classe A. O caminho mais falso era a democracia e o placar era: Forgão Classe A 3 x 1 Novela.

Parecia tudo perdido, eu perderia todos os episódios da novela na quinta-feira! Conheci a tal democracia autocrática e virei uma anarquista.

Em minoria, comecei a me organizar, argumentei até ganhar o apoio da babá, o apoio da minha mãe, e até da vizinha que passou a estar lá (milagrosamente) naquele horário todas as quintas.

Argumentando sempre, tornei-me o que meus irmãos temiam (amo vocês Ivan, Vanildo e Gil), alguém que não aceitava um não antes de lutar.

Hoje, graças a TV e a falsa democracia, agradeço por ser quem eu sou, ou seja, alguém que sabe que não pode se calar, que tem que pensar e que nenhuma batalha está perdida.

Depois dessa lição, aprendi que vencer a guerra é uma questão de estratégia e que o poder da palavra é tão forte quanto o poder da ação, principalmente se as palavras forem verdadeiras.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Patrícia Alves

* Jornalista e analista de projetos para captação de recursos públicos.

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