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Taxa Selic, juros e inflação

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 13 de fevereiro de 2018.

A divulgação taxa de inflação acumulada em 12 meses (2,86%) mostra expressivos avanços na busca de seu controle em nosso país. Igualmente a queda da taxa SELIC (agora 6,75% ao ano) traz importante contribuição à estabilidade da economia, que se configura em taxas de crescimento do PIB acima dos maus resultados no acumulado dos três últimos anos.

Vivemos no mundo, hoje, com baixas taxas de inflação. É útil verificar o que ocorre em alguns países. São taxas de crescimento superiores e melhor controle dos preços. O que se espera do Brasil, pois, é a adoção de políticas de desenvolvimento coerentes com um país com as nossas dimensões e potencial.

O que é SELIC?  É um instrumento de política monetária, de ampla repercussão, que determina os juros pagos pelo Governo em parte dos seus empréstimos. Quando a SELIC é muito alta, os bancos preferem emprestar ao Governo e, na contramão, SELIC baixa faz os bancos direcionarem os recursos para empresas e consumidores, preservando os seus lucros.

A SELIC é também instrumento de controle da inflação, na oferta de dinheiro, e isso influi na demanda e oferta de bens na economia. Juros altos significam menor demanda e impacto sobre a atividade das empresas, com seus nefastos resultados, principalmente sobre o emprego.

O ideal será a taxa SELIC andar em concordância com as outras taxas de juros, mas isso não acontece: os juros sobre o cheque especial, sobre cartão de crédito, sobre os empréstimos em geral, demoram a chegar, ou nunca chegam a se espalhar sobre a economia e isso acontece no Brasil com muito maior intensidade do que em outros países. Como a dívida pública encerra uma importância cada vez maior, é prudente, nunca perder de vista essa questão de taxas de juros. Maiores taxas, maior a parcela do que se arrecada para pagar juros e menores os serviços essenciais para a população.

Segundo o Banco Central, em 2016, pagamos de juros da dívida pública mais de R$ 400 bilhões; os problemas, pois, são: conseguir superávit nas contas públicas e reduzir a dívida, ao mesmo tempo em que continuemos a baixar as taxas de juros dessa mesma dívida.

Mas a taxa SELIC não é a única forma de remuneração da dívida do Governo. Temos tratamentos diferenciados dependendo da fonte de financiamento ou da forma de contratação. Dentre estas podemos citar:

Papeis prefixados, que independentemente da inflação, têm a remuneração garantida à determinada taxa;

  • Dívida vinculada à taxa de inflação de acordo com índices oficiais, geralmente, o Índice nacional de preços ao consumidor (INPC), que mede a taxa oficial de variação de preços;

  • Títulos pós-fixados, esses sim atrelados à taxa SELIC;

  • Ao câmbio, geralmente em dólares.

  • No gráfico a seguir, mostramos a composição dos encargos sobre a dívida.

É muito complexa a função monetária do Governo, principalmente do Banco Central, que tem que navegar em mares turbulentos, como economia em desequilíbrio e instabilidade política, o que dificulta o sucesso de medidas que se afiguram indispensáveis e que são objeto de feroz resistência dos mais variados interesses em conflito.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

falecom@fhc.com.br

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