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Campina Grande - PB

Suicídio: Precisamos falar sobre isso!

CNJ determina devassa nos salários dos juízes - image data on https://paraibaonline.com.br20/04/2017 às 15:19

Fonte: Da Redação

CNJ determina devassa nos salários dos juízes - image  on https://paraibaonline.com.brSubitamente temos notícias de uma onda de suicídios que vem avançando como um tsunami, devastando vidas, famílias, corações. Um caminho que, se concluído, não oferece a possibilidade de retorno, se consumado, não existe uma segunda chance. Não existe um novo olhar. Não existe um recomeço.

E o que leva uma pessoa a escolher fazer algo que ela não pode refazer se der errado (isso parece paradoxal, pois o ato em si já nos apresenta como um erro, mas não é assim que o agente o enxerga), a enfrentar uma estrada de mão única cujo destino ela apenas supõe conhecer?

Em muitas das vezes o suicídio é a atitude desesperada e extrema de alguém cuja mente se encontra sob intensa pressão psicológica, que pode ser de natureza social, profissional, emocional, e outras condições que alteram significativamente o estado emocional do indivíduo, levando-o a agir fora do seu padrão habitual de comportamento. O objetivo maior dessa pessoa é por fim à dor, à angústia que a consome, ainda que para isso chegue ao próprio sacrifício. Quase sempre se tem a consciência de que é um ato violento, porém existe a crença que é o que deve ser feito para resolução do que a aflige, e ela caminha para esse desiderato. E ponto final. Sem vírgula nem reticências.

Porém, apesar de aparentar ser um ato isolado, acabamos todos envolvidos nisso, sofremos as consequências dessa onda impiedosa de desespero. Isso nos atinge com tal violência que nos sentimos também vitimados, como se uma parte de nós sucumbisse junto.

Vivemos extremamente conectados digitalmente, mas profundamente desconectados emocionalmente. Ficamos encantados com a felicidade estampada nas selfies ensaiadas, sorridentes, trabalhadas com filtro. Desconhecemos os problemas, as dificuldades, os medos que povoam o porão da alma que habita aquele ser aparentemente tão cheio de paz. E escondemos, nós também, cúmplices, os nossos fantasmas quando posamos lindamente para o instagram.

Precisamos levantar mais os olhos da tela, o quadril da cadeira, a mão para um afago. Precisamos de mais encontros reais, de mais conversas ruidosas, de abraços apertados, de mãos entre mãos, onde o olho no olho alcança a porta do porão, abre-a e desce a escada levando luz para espantar as trevas e conforto para a gélida dor.

Precisamos de mais risadas, choro, desabafos em carne, osso, voz, sal de suor e lágrimas. Precisamos de mais cabelos desalinhados, roupas amarrotadas, pés descalços. Precisamos estar mais presentes. Não em fotos, em curtidas, em compartilhamentos. Precisamos estar ao lado do outro. Sem filtro. Por ele. Por nós. Pelo apelo da vida que é preciso ser vivida do jeito que é porque é a única coisa neste mundo sobre a qual detemos exclusividade.

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