Fechar

logo

Fechar

Sou mãe de autista, e agora?

Patrícia Alves. Publicado em 11 de abril de 2018 às 14:52

Foto: Ascom

Foto: Ascom

Parte 1

Sou mãe de uma criança que me tornou forte, guerreira, determinada e ESPECIAL. Logo eu, que sempre era vista como a pessoa mais “bobinha”, a romântica, chegando a receber no ensino médio o apelido de “boneca”, onde recebia uma carga extra de carinho e cuidado. Afinal, eu era frágil demais para enfrentar a vida.

Passaram anos – muitos anos – e como era para ser, começo executar o meu mais almejado projeto: ser mãe! E quando tive Pedro em meus braços, dia 10 de fevereiro de 2010, fiquei infinitamente grata: Que bebezinho tão lindo, tão perfeito, tão tudo!

Mas… nos altos e baixos da vida… em setembro de 2012, o meu olhar de mãe atenta, levou-me à consulta que mudou a minha vida. Em cinco minutos de exame, o médico proferiu: Mãe, seu filho está dentro do espectro autista, alguma dúvida?

Simmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm, eu tinha todas as dúvidas do mundo.

Perdi meu filho? Ele vai falar? Ter profissão? Casar? Mas, as que mais ecoavam eram: O que eu fiz de errado? Porque Deus fez isso comigo?

Sucumbi no medo e na desesperança. Não tinha razão pra viver, o medo era avassalador e eu queria morrer! Não acreditava que Deus me amava… eu não tinha forças mais para nada e só chorava.

Em meio a uma crise de choro, eu fui surpreendida com um anjo de 2 anos e 6 meses insistindo em levantar minha cabeça e mesmo sem falar, sorria pra mim. A mensagem era clara: Mãe, preciso de você!

Parte 2

Caramba, aquela carinha frágil, aquele olhar singelo, eram muito mais fortes que minha amargura, dor ou desânimo. Foi ai que eu me reergui.

O Autismo não devastou minha vida, nem a de Pedro. Hoje, considerado como um autista de alto rendimento, Pedro está acompanhado de fonoaudióloga, psicopedagoga, psicóloga, terapia ocupacional, equoterapia… já teve atendente terapêutica na escola, educador físico.

Na ânsia de acertar, já o submeti a vários exames, vários médicos, vários testes. Ficou retido um ano na escola, já mudou de sala três vezes, tendo que adaptar-se aos novos colegas e agora, inicia um processo de terapia ABA.

Eu? Ah… EU SOU FORTE… briguei com escola, com terapeuta, com plano de saúde (vias de justiça mesmo), profissionais, familiares…

Agora? Sou exigente, aprendi a dizer “não” e a dizer “quero mais”. Sigo errando, aprendendo, apanhando, chorando (só às vezes), na certeza que não posso mudar nada, só iluminar o caminho para que Pedro a cada dia precise menos de mim, assim como Dalai Lama ensinou que os pais devem se tornar desnecessários ao passar do tempo, sendo porto seguro para os filhos atracarem, mas jamais sendo âncora.

PS: Gratidão a Deus, à minha mãe, a Gil, à minha psicóloga, ao meu psiquiatra, aos meus amigos, à acupunturista, às palavras de amor e força e as flores que ganhei…. ainda preciso muito de vocês! Porque ser mãe é a jornada mais especial e difícil que eu poderia enfrentar!

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Patrícia Alves
Patrícia Alves

* Jornalista e analista de projetos para captação de recursos públicos.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015
Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube