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Sou feminista, alguma coisa contra?

Gisa Veiga. Publicado em 7 de março de 2017.

Foto: Paraibaonline

Por Gisa Veiga

À pergunta “Você é feminista?”, muitas mulheres, ao confirmar, tratam logo de se explicar: “Mas não tenho nada a ver com esses movimentos, não me visto como essas feministas, não sou radical” etc.

Compreensível, quando integrantes de movimentos de mulheres fazem declarações equivocadas e até mesmo patrulham – pasmem! – certas posições nas relações sexuais. Mas, certas – e pequenas – exceções jamais devem justificar esse tipo de resposta equivocada e notoriamente estimulada pela cultura machista.

Há como que uma vergonha de se declarar feminista. Algumas até sacam expressões do “arco da velha”, do tipo “Sou feminina”, como se ser feminista excluísse completamente o lado feminino, a vaidade, a delicadeza, ou sugerisse algum outro tipo de opção sexual.

Sim, sou feminista – essa deve ser a resposta. Ponto. Porque quem luta, dentro ou fora de organizações de mulheres, por mais conquistas, oportunidades iguais, pela exclusão do preconceito e o fim da violência é, sim, feminista.

Se hoje avançamos no alcance de importantes conquistas devemos aos gestos de mulheres corajosas do passado, que viveram num ambiente social ainda mais hostil à liberdade e independência feminina do que o atual.

O feminismo não significa um grito de guerra. Ao contrário, é mais um berro pela paz, por uma sociedade mais justa, pela promoção e garantia de direitos humanos como dignidade, igualdade, livre de preconceitos e discriminações por gênero. Até porque ser mulher, no Brasil, não é nada fácil. Somos o 79º país em desigualdade de gênero dentre 144 países (IDG de 2016) e o quinto que mais mata mulheres dentre 83 países (Mapa Violência contra a Mulher de 2016).

Nesta Semana da Mulher, voltemos nossa atenção às mulheres que lutaram pelo voto feminino e outros direitos antes impensáveis. Honremos suas memórias lutando contra a discriminação salarial, por exemplo, e outras formas de injustiça. Lutemos contra a violência patrocinada pelo machismo – sim, machismo mata.

Sim, queremos flores. Mas também melhores salários, mais justiça, mais oportunidades. Lutemos, mesmo de salto alto, batom e cabelo escovado. Ninguém deixa de ser feminina por isso.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

falecom@fhc.com.br

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