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Somos todos olímpicos

Ailton Elisiário. Publicado em 23 de agosto de 2016 às 12:18

ailton_elisiarioPor Ailton Elisiário*

As Olimpíadas no Rio de Janeiro terminaram. O Brasil embora não tendo atingido a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico do Brasil, superou os resultados alcançados nas Olimpíadas anteriores. Em Atenas, o Brasil ocupou o 16° lugar, com 10 medalhas, sendo 5 de ouro, 2 de prata e 3 de bronze. Em Pequim, a 22ª colocação com 15 medalhas, sendo 3 de ouro, 4 de prata e 8 de bronze. Em Londres, o Brasil conquistou a 22ª posição com 17 medalhas, sendo 3 de ouro, 5 de prata e 9 de bronze. E agora no Rio conquistou 19 medalhas, distribuídas em 7 de ouro, 6 de prata e 6 de bronze. Deste modo, não ficou entre os 10 primeiros países colocados como desejado, mas ocupa o honroso 13° lugar.

Fomos ouro no vôlei de praia masculino (Alison e Bruno Schmidt), na vela (Martine Grael e Kahena Kunze), no atletismo – salto com vara (Thiago Braz), no judô feminino (Rafaela Silva), no boxe (Robson Conceição), no vôlei e no futebol masculinos (diversos atletas).

Fomos prata no tiro esportivo (Felipe Wu), na ginástica artística – solo (Diego Hypólito), na ginástica artística – argolas (Arthur Zanetti), no vôlei de praia feminino (Agatha e Barbara), na canoa individual 1000 metros (Isaquias Queiroz), na canoa dupla 1000 metros (Isaquias Queiroz e Erlon de Souza).

Fomos bronze no judô feminino (Mayra Aguiar), no judô masculino (Rafael Silva), na ginástica artística – solo (Arthur Nory), na natação (Poliana Okimoto), na canoa individual 200 metros (Isaquias Queiroz), no taekwondo (Maicon Andrade).

Portanto, ao longo de 16 anos, o Brasil vem crescendo gradativamente, saindo de 10 medalhas em 2004, indo para 15 medalhas em 2008, alcançando 17 medalhas em 2012 e conquistando 19 medalhas em 2016. Saiu do 16° lugar em 2004 para o 13° em 2016, apesar do descenso para o 22° em 2008 e mantido em 2012.

A expressão “somos todos olímpicos” talhada pela Rede Globo para o evento esportivo é bastante criativa, haja vista que ela ultrapassa os limites da própria competição internacional. É que com a situação de permanente exploração econômica que o país sofre ao longo de sua história, o povo brasileiro continua forte, impoluto, resistindo aos processos externos e internos de deterioração de sua economia, de sua sociologia e de sua psicologia.

A terra brasileira desde seu descobrimento que é vítima da exploração estrangeira e de grupos nacionais. Nossas riquezas têm sido desviadas desde o ouro das minas gerais na época da colonização, passando pela cana de açúcar e café na época do império até o petróleo na época da república. O país subdesenvolvido sugado em seus recursos naturais, que elevado à categoria de país em desenvolvimento pelo processo de industrialização, há 516 anos ainda se debate para penetrar no bloco dos países desenvolvidos.

Seu povo ordeiro vive em constantes altos e baixos, enfrentando crises após crises, em luta permanente para assegurar o seu lugar sob o sol da liberdade. Nos dias atuais amarga mais uma grande crise, penalizada com os mais altos índices de desemprego registrados em toda a sua história. Mão de obra qualificada desocupada que não encontram emprego, mão de obra qualificada ocupada que perdem emprego e não mais o encontram, mão de obra qualificada que se perdem em produtividade pelas ocupações impróprias a que se sujeitam.

Os seus gritos não ecoam em lugar algum, não há espaço para isto, porque os ouvidos que lhes podem ouvir não os ouvem insensíveis que são. São tais como os olhos que veem apenas o que querem ver, que não enxergam a miséria causada pela ganância e pela insensatez. A corrupção, a impunidade, a injustiça, a ausência de solidariedade e tantos outros atributos negativos imperam na sociedade.

A realidade nua e crua da vida é o campo de treino do povo brasileiro. Como nossos corajosos atletas que enfrentam montanhas de dificuldades para seus treinamentos, nosso povo rebola como o rio que serpenteia para vencer os obstáculos. Por isto que somos mesmo todos olímpicos, nossos atletas merecedores das medalhas olímpicas de suas modalidades por seus redobrados esforços e o nosso povo merecedor de permanentes medalhas olímpicas da realidade pela perseverança e confiança no futuro do país.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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