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Sola Gratia e Solus Christus – Duas bandeiras seminais da Reforma Protestante

José Mário. Publicado em 4 de novembro de 2017 às 9:36

Por José Mário da Silva (*)

1)Jamais compreenderemos a excelência e a suficiência da graça de Deus como fonte única e indesviável da nossa salvação, se não tivermos uma compreensão da nossa miséria espiritual e da desesperadora situação em que nos encontramos diante de Deus. (Efésios 2. 1 a 3. 9 a 18).

2)O primeiro argumento do apostolo Paulo na monumental epístola aos Romanos, que ocupa a quase totalidade dos três primeiros capítulos, é inteiramente voltado para demonstrar a doutrina da Depravação Radical de todos os homens, tanto gentios quanto judeus, não ficando ninguém de fora da justa condenação procedente do Deus que é santo, santo e santo.

3)A epístola aos Romanos se inicia com o apóstolo Paulo mostrando que os homens são culpados diante de Deus, não porque rejeitaram a Cristo, mas porque, muito antes de poderem vir a rejeitar o sacrifício salvífico do Filho de Deus, eles já rejeitaram a Revelação que Deus fez de Si mesmo na criação, na qual o seu eterno poder e invisíveis atributos são mostrados, de modo tal que o não reconhecimento dessa realidade torna os homens, sem distinção e sem exceção, totalmente “indesculpáveis” diante de Deus. Embora a Revelação Geral de Deus não possa me salvar, dado que somente Jesus Cristo salva, ela pode perfeitamente me condenar. Aqui, a ira de Deus aparece não como a expressão arbitrária de um Deus instável emocionalmente, mas, sim, como a justa reação do Deus santo contra “toda perversão e impiedade praticada pelos homens”.

4)No estado de pecado em que se encontra, absolutamente inabilitado para cumprir a lei de Deus, que o condena e exige a sua morte, o homem nada pode fazer para modificar a sua situação. Essa é a péssima notícia que toda pregação genuína do evangelho deve dar aos homens.

5)O Príncipe dos Pregadores, Charles Spurgeon, dizia que Deus a ninguém reveste com a sua graça, sem antes o ter ferido com os aguilhões da sua lei”. O surpreendente, aqui, é que Deus toma a iniciativa de prover por si mesmo a justiça de que carecemos para estar na sua presença, mas não a temos em nós mesmos, a justiça de Jesus Cristo, testemunhada pela lei e pelos profetas. É somente pela graça que podemos ser salvos e mudar a nossa situação diante de Deus.

6)A Teologia Reformada afirma que a Escritura e sua doutrina sobre a graça e a fé enfatizam que a salvação é SOLUS CHRISTUS, “somente por Cristo”, isto é, Cristo é o único Salvador (Atos 4.12).

7)B. B. Warfield afirmou que “o poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo-Poderoso.

8)O fundamento da fé cristã na perspectiva protestante é a centralidade de Jesus Cristo.

9)O Reformador Martinho Lutero afirmou que “Jesus Cristo é o centro e a circunferência da Bíblia”.

10)Ulrich Zwinglio disse que “Cristo é o cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.

11)Sem Cristo, nada podemos fazer. Em Cristo, podemos todas as coisas. João 15.5; Filipenses 4.13.

12)Em Romanos capítulo primeiro, Paulo disserta sobre a Revelação Geral que Deus faz de Si mesmo na criação, suficiente para condenar, mas insuficiente para unir o homem a Deus e, consequentemente, salvá-lo dos seus pecados. Tal salvação só pode ocorrer por meio de Jesus Cristo. João 14.1 a 6.

13)Em nossos dias, não são poucos os que questionam a doutrina do SOLUS CHRISTUS. Ao fazê-lo, tentam apresentar como novo, o velho e antibíblico evangelho liberal, “a jesusologia superficial”, como a chamou Carl Braaten. O produto final dessa postura, conforme afirma o teólogo H. R. Niebuhr, é a proclamação e adoração a “um Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a cruz”.

14)A centralidade de Cristo aponta para a excelência e glória dos seus ofícios: Profeta, Sacerdote e Rei.

15) Cristo, o Profeta. Como Profeta supremo, Cristo instrui-nos nas realidades concernentes a Deus; e o faz por meio do seu Santo Espírito, que nos fala na e pela Palavra inspirada de Deus. O Catecismo de Heidelberg chama Cristo de “o nosso principal Profeta e Mestre, que nos revelou totalmente o conselho secreto e a vontade de Deus a respeito da nossa redenção”. Deuteronômio 18.15; Mateus. 17.5.

16)Como Profeta, Jesus é o único que pode revelar o que Deus tem planejado na história “desde a fundação do mundo”; e que pode ensinar e manifestar o real significado das Escrituras dos Profetas. Romanos 16.25, 26; Lucas 24; João 17.

17)Como Sacerdote, Jesus Cristo “pelo sacrifício do seu corpo, nos redimiu, e faz contínua intercessão junto ao Pai por nós”. (Hebreus 7.25).

18)Há duas condições para a nossa salvação, as quais jamais poderemos satisfazer: a)satisfazer a justiça de Deus pela perfeita obediência à lei de Deus; b)pagar o preço dos nossos pecados. Cristo cumpriu todas as condições. Romanos 5.19; 5.10; 8.34; I João 2.1; Hebreus 4.12.

19)Como Rei, Cristo reina sobre todas as coisas. Filipenses 2.5 a 11; Atos 2.32, 33. Por meio dEle, Deus concede arrependimento ao pecador e perdão ao culpado. Atos 5.31.

APLICAÇÕES PRÁTICAS:

1)Sondemos os nossos corações a fim de verificarmos em quem estamos realmente colocando a nossa irrestrita confiança no tocante à nossa salvação.

2)Descansemos inteiramente nAquele que na cruz do calvário quitou, de forma definitiva, a nossa dívida para com Deus.

3)Rejeitemos, com todas as forças da nossa alma, do nosso coração e do nosso entendimento, toda e qualquer mensagem que tire Cristo Jesus do centro da proclamação do evangelho, não nos esquecendo nunca de que tais mensagens estão debaixo da justa condenação de Deus.

4)Adoremos, sempiternamente, ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Amado da nossa alma.

5)Sejamos constantes e intrépidos proclamadores do evangelho glorioso da salvação.

6)Vivamos, continuamente, para a glória dAquele que é o nosso Profeta, Sumo Sacerdote e Rei. SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER.

* PRESBÍTERO

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

José Mário

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