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Sócio Correspondente do IAHGP (I)

Josemir Camilo. Publicado em 31 de janeiro de 2019 às 11:49

Na noite de 28 de janeiro de 2019, no Recife, fui agraciado com o título de Sócio Correspondente do IAHGP (Instituto Arqueológico, Histórico, e Geográfico de Pernambuco). Tratava-se de uma sessão solene comemorativa aos 157 anos de fundação da entidade (e 365 anos da Restauração Pernambucana – a vitória contra os holandeses), portanto, o Instituto estadual mais antigo do Brasil, só ficando atrás do Nacional. Como se tratava da posse de 12 sócios, entre efetivos, correspondentes e honorários, só foi possível a um só empossante ter a fala. Prevendo que também fosse discursar, embora com tempo mínimo, preparei um discurso, do qual, aqui, extraio a vinculação que estabeleci entre título e cargo e a historiografia paraibana. Com muita honra, eu estava, naquele momento, ocupando um cargo que, inicialmente, pertencera, nada mais, nada menos a Irenêo Joffily. Mais ainda, outro grande historiador paraibano e que vivera, alguns anos, em Campina, também fazia, já, no Recife, parte dos quadros de sócios efetivos daquela instituição: Maximiano Lopes Machado.

Minha indicação ao cargo se deu por parte do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Goiana (IHAGGO), do qual faço parte, como goianense adotivo e como sócio, também, correspondente. Para mim, ser indicado e aprovado para a instituição pernambucana, não só foi uma honra, mas um resgate de cidadania, cujo passo inicial se deu com minha acolhida pelo, em 2016, como Sócio Correspondente, do de Goiana, por não morar no Estado. No ano anterior, fora eleito Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP).

Tomei como pauta, exatamente, a questão dos limites entre Pernambuco e Paraíba, tanto sob o ponto de vista geográfico, os limites fugidios, historicamente, quanto cultural, a transumância para Pernambuco, já que a Paraíba tinha o 2º lugar, em matrículas de seus filhos, na Faculdade de Direito, cerca de 1.275, desde as origens do Curso, até começo dos anos 60, do século XX, como nos aponta Deusdedit Leitão. Então, para encimentar essa discussão, tomei exatamente a polêmica sobre o mapa da Paraíba, em que duelaram os dois expoentes da historiografia paraibana: Joffily e Machado. Uma terceira parte do discurso foi dedicado, ligeiramente, ao papel de Goiana nesta área movediça, principalmente entre o município e os vizinhos, Itambé/Pedras de Fogo. Na parte pessoal, recorri ao histórico de minha família, dividida entre suas origens, nos arredores de Timbaúba e sua mudança para Itabaiana.

Imaginei-me discursando no modesto e aconchegante auditório do IAHGP, dizendo o quanto era uma honra ocupar um posto de Sócio Correspondente que, antes, pertencera a um personagem tão marcante da História da Paraíba, cuja formação se deu na Faculdade de Direito do Recife, na década de 1860: Irenêo Ceciliano Pereira da Costa. Mais honra, ainda, era a de estar na Casa que, também, um paraibano, de vivências limítrofes, ajudou a construir, no seu alvorecer, Maximiano Lopes Machado. Estes dois bravos paraibanos se formaram na Faculdade de Direito; um, ainda, na de Olinda, Maximiano, turma de 1844; o outro, já na do Recife, turma de 1866. O que estes dois têm em comum, além destes fatos? Ambos se envolveram, exatamente, com a questão de limites entre as Províncias do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Por coincidência, ao assumir como Sócio Efetivo do IHGP, em novembro de 2015, coube-me a Cátedra de Nº 14, cujo Patrono é José Gomes Coelho, um estudioso dos problemas de limites entre os Estados com o seu livro, Escorço de Chorographia da Parahiba, editado em 1919.

Para se ter uma noção da questão dos limites entre Pernambuco e Paraíba, em 1915, uma Comissão fora instituída, para tratar de uma representação feita pelos moradores de Serrinha (hoje, Juripiranga), e dos de Ingá, que reclamavam contra a indébita intervenção de agentes fiscais do Conselho Municipal de Itambé.

Diria aos confrades e às confreiras que, falar de Maximiano Lopes Machado, como sócio desta Casa, e de Joffily, como sócio correspondente, era de grande responsabilidade. Joffily, como sócio correspondente, enviou, certa vez, material fóssil encontrado na Serra da Borborema. Da Comissão para dar o parecer, fazia parte Maximiano Lopes Machado, ao lado do pernambucano, Regueira Costa, cujo laudo fora publicado na Revista dessa Casa, em janeiro de 1890.

Joffily tinha certa ancestralidade em Pernambuco, já que era neto da pernambucana e goianense, Bárbara Maria da Pobreza, filha de Sebastião Gomes Correia e Maria Gomes da Assunção, possuidores de sesmarias no Cariri, desde 1736 (o que pode ser referenciado pelo grande pesquisador da História do Cariri, o historiador e confrade, do Instituto Histórico de Serra Branca, José Pequeno) e em Alagoa Nova. Nesse mapeamento familiar, uma incógnita parece não pertencer ao campo da História. O historiador Irenêo Ceciliano Pereira da Costa, nascido em 1843, quando estudante de Direito, no Recife, inventou o sobrenome artificial (Joffily – Jo[seph] fily [filho], duplicando o ‘f’’, em vez do ‘ph’), em 1866. Em sua justificativa (e, aí, poderia entrar a psicanálise), alega homenagem a seu pai, morto pelo cólera, em 1856, quando, posteriormente, sua mãe se casa de novo e ele passa a ter um padrasto. Outra interpretação pode ser a de que fizera isto, para evitar explicações supostamente parentais com a família do futuro historiador e advogado, pernambucano, Francisco Augusto Pereira da Costa (Cont.).

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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