Fechar

logo

Fechar

Sobre o Riacho de Bodocongó

Vanderley de Brito. Publicado em 30 de abril de 2019 às 10:37

O riacho Bodocongó tem suas nascentes no sítio Lagoa de Dentro dos Galdino, município de Montadas, a uns 5km a sudoeste da Lagoa Salgada, em uma altitude de 691m, e apresenta uma extensão de aproximadamente 75,5km. Muito provavelmente era perene em tempos pré-históricos, porém, a devastação gradativa de sua mata ciliar e a exploração agropecuária de suas encostas no processo de colonização da região, suas nascentes se extinguiram e o regime passou a ser intermitente.

De sua nascente o Bodocongó desce em direção ao sul por 3km, onde forma um açude no sítio Maris Preto, dali continua no mesmo rumo, formando pequenas lagoas em seu itinerário sinuoso até o sítio Azevén, município de Puxinanã, onde recebe por afluente o riacho Montadas e mais adiante recebe um novo afluente da serra de Portela. Abaixo deste lugar, cerca de 1Km, o riacho chega ao centro urbano da cidade de Puxinanã, onde abastece o açude da Milhã,  com um volume de acumulação de 580.000m3,  de cujo sangradouro toma o rumo sudeste por mais 9km até chegar no antigo sítio Ramada, onde foi erguida a represa para formar o Açude de Bodocongó. Com capacidade de 1.215.700m³, a construção deste açude ocorreu entre 1915 e 1916, pelo então prefeito Cristiano Lauritzen, que trouxe da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS) um engenheiro para coordenar a construção, inicialmente com a finalidade de contribuir no abastecimento da cidade, no entanto, devido à alta concentração de sais na água tornou-se indesejável para o consumo humano, mas foi importante para que em seu redor fossem instalados um curtume (Curtume Vilarim), uma fábrica têxtil e um matadouro.

Atualmente, o Riacho é perenizado no trecho que corta a cidade de Campina Grande, a partir de sua jusante no Açude de Bodocongó, pelas descargas dos esgotos da cidade. No bairro homônimo, depois do sangradouro do Açude, o riacho de Bodocongó segue seu curso em canal de alvenaria atravessando a cidade de Campina Grande e depois, no bairro do Cruzeiro ele passa a divagar em leito natural recebendo contributos hídricos, como o Riacho das Piabas que lhe vem ao encontro no bairro do Velame. Seguindo continuamente para a direção sul o Bodocongó penetra o território do município de Queimadas, onde recebe o riacho Salgadinho, no sítio Caiçara, e forma um açude de grande porte no sítio Campo de Boi, e, mais abaixo, recebe o riacho do Zé Velho, no lugar Recanto. Desse ponto ele margeia e passa a Serra de Bodopitá e logo abaixo recebe também o Rio São Pedro e o Riacho Boa Vista, no lugar Retiro, de onde segue atravessando o município de Caturité até desaguar no Rio Paraíba, no perímetro urbano da cidade de Barra de Santana (coordenadas 35º 59’We7º 33’S), onde encerra seus curso a uma altitude de 350m. Dali ele e seus dejetos seguem na calha do Rio Paraíba até se concentrarem na barragem de Acauã, no município de Aroeiras.

O maior impacto urbanístico causado ao riacho Bodocongó é a condução dos esgotos de Campina Grande, pois este riacho também recepta as águas do Canal do Prado, antigo Riacho das Piabas, que, com alta concentração de matéria e coliformes fecais, significa um grande risco de propagação de doenças de veiculação hídrica. A cidade possui mais de 400.000 habitantes e o crescimento da demanda de água e produção de dejetos não foi contemplado com implantação da infraestrutura necessária, de modo que o efeito concentrador populacional tem colocado em risco o equilíbrio deste recurso hídrico, que, além de poluir com lançamentos de despejos líquidos e sólidos de origens diversas, provoca a destruição da vegetação original, causando problemas ambientais como erosão, salinização, assoreamento dos corpos d’água e contaminação com produtos químicos e orgânicos.

Nos períodos de estiagem, os esgotos de Campina Grande chegam a representar a quase totalidade da sua vazão. Apesar da péssima qualidade das suas águas, o rio é um importante (às vezes único) recurso hídrico para a população que habita nas suas proximidades e é usado para irrigação de verduras, plantação de capins, lavagem de roupas, fabricação de tijolos e até recreação.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Vanderley de Brito
Vanderley de Brito

Historiador, Arqueólogo, Presidente do Instituto Histórico de Campina Grande e membro fundador da Sociedade Paraibana de Arqueologia.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube