Fechar

Fechar

Sobre livros e presentes

Jurani Clementino. Publicado em 22 de agosto de 2017.

Por Jurani Clementino (*)

Gosto de dar livros de presente. Livro dado é coisa pra ser devorada. Consumida viva, sabe! Ali no calor da hora. Quando lancei a biografia do compositor Zé Clementino (2013), dei vários exemplares. Eu queria que as pessoas lessem, conhecessem a obra, tomassem conhecimento da história dele. Como todo escritor, acho que eu desejava que os leitores passeassem pelas ruas de Várzea Alegre – CE, entrassem nos bares, tomassem uma cachaça com o Zé, tudo através da leitura do livro. Pra minha surpresa muitos me confessaram sentir isso. Experimentaram exatamente essa sensação. Foram conduzidas pela escrita. E me contaram tais experiências com entusiasmo, ao ponto que eu acreditei. Não deviam estar inventando. Senti que haviam lido o livro. Naturalmente fiquei contente com a receptividade. Com a dimensão que a obra tomou.

Hoje mesmo recebi uma mensagem de um amigo que acabou de ler a biografia do Zé e disse que a cada capítulo queria saber o que vinha em seguida. Devorou o livro em dois dias. Tinha fome de ler. Achei o máximo. Deve ter lido mesmo, porque descreveu exatamente o que a obra narra. Algumas horas depois recebi outra mensagem, de uma segunda pessoa, a quem presenteei com um livro dos mais simples de Clarice Lispector, dizendo que estava na terceira página e ainda não tinha entendido nada. Que tava tudo muito confuso. Que a personagem principal era muito complicada. Que as frases não tinham sentido. Que tava pensando em desistir da leitura. Que leria apenas para dizer depois que leu e não entendeu nada. Morri.

Naturalmente que não quero aqui me comparar a Clarice Lispector. Não seria tão pretensioso. Quem sou eu? Mas o recado que deixo é o seguinte: livro dado é livro pra ser lido, devorado, comido vivo. Leia, (re)leia. Ao ser desafiado pelo texto, encare o desafio. Depois compartilhe essa experiência. Não abandone ou subestime um presente como esse. Fico muito feliz em, mesmo quatro anos depois, saber que a história do Zé Clementino está circulando e povoando o imaginário das pessoas. Ficaria mais feliz ainda se, amanhã, meu amigo dissesse que fez as pazes com Clarice. Que já entende claramente o que ele diz. Vamos esperar. Oremos.

Jurani Clementino – Campina Grande – 22 de agosto de 2017

(*) Jornalista, escritor, professor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube