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Sobre educação

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 1 de agosto de 2018 às 9:36

O que é educação? Qual o significado de educação para você? Segundo os dicionaristas educação é o desenvolvimento de aptidões físicas, morais e intelectuais, que impulsionam, de forma geral, o ser humano em busca da construção de sua própria vida.

A educação como instrumento de convivência social, se sustenta em dois pilares:

  • a educação na família, por onde começa a nossa inserção na vida da sociedade, quando são desenvolvidos valores morais fundamentais;
  • num outro plano temos a educação intelectual, por assim dizer, método, geralmente orientado por outra pessoa, na incorporação de conhecimentos acumulados historicamente, processo de enriquecimento continuo em que as novidades são integradas ao capital intelectual já existente.

No início dos tempos, nas sociedades tribais, só existia a educação familiar, pois os laços sociais eram pouco visíveis; o conhecimento rudimentar, mais como meio de sobrevivência, era passado de pai para filho. Posteriormente, nas sociedades mais organizadas, como as orientais, já se praticava algum tipo de formação além da transmitida pelos pais, mas esses conhecimentos eram restritos às classes sociais privilegiadas.

A partir principalmente da Grécia, a educação passou a ter um caráter sistemático, preocupando-se com as duas dimensões: o individual e o social. Desde então, começou a se desenhar um mundo diferente pela transmissão continuada do conhecimento e seu uso prático mudou valores pessoais e coletivos.

Fato importante, fundamental, é que em todos os tempos, sempre havia alguém que revelava aptidões além da simples capacidade de adquirir conhecimento, desenvolvendo, concomitantemente, o talento para transmitir esses conhecimentos, o hoje nosso Professor.

Com efeito, o Professor reúne, ao lado da curiosidade por aprender, a capacidade de transmitir aquilo que sabe, o desafio de buscar novas soluções para problemas antigos e criar novos desafios.

Não se entende uma sociedade contemporânea sem o Professor. Cabe aqui perguntar. Em nosso país, tem sido o Professor apoiado verdadeiramente para o exercício pleno de sua nobilíssima missão? Recebe ele os meios materiais – escolas bem aparelhadas, em condições dignas de recepcionar mestres e alunos?

Dispõe ele de instrumentos tecnológicos que possibilitem o ensino em vista do progresso dos indivíduos e da sociedade e que garantam a inserção competitiva no mercado de trabalho e no mundo globalizado?

E os salários compensam essa espécie de sacerdócio, que bem exercido só traz resultados positivos?

Segundo estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros até segundo grau têm um dos piores salários do mundo ficando abaixo, apenas, da Indonésia, num quadro em que são analisados 34 países membros da organização e 10 parceiros, incluindo o Brasil.

Façamos um breve resumo desse triste drama em nosso país

  1. Um professor de instituições públicas, em início de carreira, dando aula no ensino fundamental recebe, em média 1/6 do que seu correspondente em Luxemburgo, o país com o maior salário para docentes.
  2. Entre os 34 países membros da OCDE, a média salarial do professor é de três vezes o salário de um professor no Brasil.
  3. Os salários no Brasil estão bem abaixo até mesmo dos praticados em outros países da América Latina. No Chile, um professor recebe em média 70% a mais por ano e no México, 50%.
  4. O único país avaliado no estudo que ficou atrás do Brasil foi a Indonésia, onde os professores recebem apenas 15% do valor aqui pago.

Os valores são de cinco anos atrás, mas em dólares ajustados pela paridade do poder de compra (PPC). A paridade do poder de compra significa você comprar, pelo mesmo preço do Brasil, por exemplo, quantidade igual de um produto em qualquer outro país. Um Coca Cola custa em dólar o mesmo preço que no Brasil. Alguns dos principais resultados podem ser assim resumidos, considerando-se que o valor pago na Suíça, o maior de todos, é igual a cem.

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O que esperar de um país como o nosso, que não dispensa a menor de suas preocupações como o futuro, aqui tão bem representado pela figura do Professor, sem o qual todo o processo de transmissão do conhecimento formal fica prejudicado, comprometendo as novas gerações e o pleno desenvolvimento com justiça social?

É tempo de acordar para essa dura realidade. Valorizemos o Professor. Mais capacitação, melhores condições de trabalho e salários dignos.

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