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Sobre a fé

Jurani Clementino. Publicado em 14 de dezembro de 2017 às 8:11

Por Jurani Clementino (*)

Não me classificaria como católico, protestante, umbandista, espírita, nem ateu. Tenho minha fé e minhas crenças e vivencio cada uma delas em silêncio. Não gosto de duvidar daquilo que não conheço. A fé é algo muito particular. Cada um aprende a conviver com ela de seu jeito. Ao seu modo. Frequento espaços onde congregam outros credos e religiões, sem o menor problema. Muitas pessoas acham que sou espírita. Dizem que tenho uma sensibilidade aguçada. Admiro o espiritismo e confesso que realmente já vivi experiências onde a explicação pode seguir o caminho dessa doutrina religiosa. Não gosto de me ater a um único dogma. O conhecimento me libertou para algumas experiências espirituais. Gosto disso.

Outro dia estava com um sobrinho muito doente. Vivia de médico em médico e nenhuma notícia animadora. Na verdade, nada nos fazia crê que ele fosse durar por muito tempo. Estávamos nos acostumando com a possibilidade de não tê-lo com a gente em questão de meses. Entre as cidades de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalho e Fortaleza esse menino vivia de hospital em hospital. Aliado ao conhecimento científico havia um apelo às questões religiosas. Era uma promessa atrás da outra. Novenas rezavam-se com frequência. E nada do menino apresentar melhora. Até que um dia, o avô materno da criança, descobriu o trabalho de um rezador, devoto de “Padim Ciço” que andava promovendo verdadeiros milagres pela zona rural de Várzea Alegre, interior do Ceará. Leva ou não leva o menino pra o rezador examinar?

Depois de muita luta, coube a mim, levar a criança até o endereço do rezador. Uma casa simples num pé de serra, de difícil acesso. Era fim de tarde. Chegando lá fomos recebidos com bastante atenção. Conversamos no alpendre, explicamos o caso da criança e minutos depois o menino foi levado para um quarto reservado e examinado. Antes mesmo desse momento o rezador disse confiante: “com a ajuda de Deus já curei uns dez assim”. Em resumo: rezou três vezes e o menino ficou bom. Claro manteve o acompanhamento médico de antes, mas o que para a ciência seria caso de uma cirurgia delicada foi resolvido ali, com três sessões de reza.

Hoje o menino, com quase quatro anos de idade, serve de cobaia para estudiosos do Hospital Universitário de Fortaleza. Fazem exames e mais exames e não chegam a nada. Aquele rezador, que podia ser considerado por muitos, como bruxo, conseguiu, através da fé, resolver um problema que a ciência teve e, ainda tem, dificuldades para apresentar solução. Não tem como duvidar da fé, nem das experiências metafísicas dos outros. Por isso viva sua fé e respeite as experiências religiosas alheias.

(*) Jornalista, escritor, professor

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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