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Sítio São João – Antigamente era mais moderno?

Jurani Clementino. Publicado em 18 de junho de 2022 às 10:06

Uma casinha de taipa dividida em quatro cômodos: uma sala, um pequeno corredor, um quarto centralizado ao meio e uma cozinha. Na sala, estátuas e imagens de todos os Santos católicos, umas cadeiras de madeira e couro, chapéus e gibões de vaqueiro pendurados na parede. No quarto, uma cama antiga, dois pinicos ao chão, além de malas de madeira e tapetes feitos artesanalmente com couro de animal. Na cozinha uma mesa cheia de comidas típicas: milho, pamonha, queijo coalho, canecos para servir café e pratos de porcelana. Imensos potes de barro ocupavam um canto da parede.

Ao ultrapassar a porta da cozinha e chegar ao que seria o terreiro, nos deparamos com uma panela com água fervente num fogão alimentado por toras de madeira. No oitão – lateral da casa, de frente para o nascente -, dois banquinhos de madeira e uns pés de milho ainda desenvolvendo as espigas. Perto dali, um modelo antigo de carro datado dos anos de 1960, uma igrejinha com todos os Santos Juninos no altar e duas filas de bancos de madeira para os fiéis se acomodarem. Na frente da igreja, uma pracinha ornamentada com bandeirolas, luzes acesas e um cruzeiro em tamanho real. Logo atrás da construção religiosa, existe um parque de diversão com roda gigante, vendedores de pipoca, algodão doce e caramelos. Próximo dali, há uma rádio difusora e uma tipografia usada para produzir folhetos de cordéis.

Saindo da casinha de taipa pela porta da frente e virando à esquerda temos uma moenda de cana simulando um engenho e logo adiante uma casa de farinha. Também, ao lado da casa de taipa, existe uma reprodução do que seria uma antiga bodega sertaneja. Sortida de tudo: cereais, bebidas, carne, fumo, verduras, alimentos etc. Perambulando por aquele local com uma espingarda na mão, óculos com uma das lentes escurecidas (indicando cegueira no olho esquerdo), chapéu de couro, roupa de cangaceiro, alpercatas nos pés, lenço no pescoço, cartucheira cruzando o peito, um bornal de couro e uma cabaça d’água penduradas no ombro… encontramos um cidadão de meia idade dançando, fazendo foto com os turistas e remetendo a imagem do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva – O temido Lampião. Após cada registro fotográfico, o agora tietado Lampião moderno, pede que o visitante siga o seu perfil no Instagram intitulado – o lampião da Paraíba oficial.

Essa breve (ou seria longa?) descrição – que até parece uma narrativa sobre uma comunidade sertaneja perdida no tempo e localizada nos rincões de um Brasil rural -, trata-se apenas de uma rápida visita que fiz, essa semana, a Vila Sítio São João. Uma proposta que busca reconstituir, dentro da cidade, uma comunidade rural do século XIX e que há mais de vinte anos atrai a atenção dos turistas de todo o país.

O sítio São João, como costumamos chamar aqui, faz parte da programação do Maior São João do Mundo, de Campina Grande. Fica bem próximo aqui de casa. Mas já foi montado em diversos locais da cidade. Inicialmente dentro do Parque do Povo, área onde acontecem as festividades juninas e por onde passam as dezenas de atrações da festa. Depois saiu de lá e passou por diversos bairros até que em 2018/2019 ganhou esse espaço permanente. Idealizado pelo vereador, poeta e dramaturgo João Dantas, a Vila Sítio São João possui uma área de quase 25 mil metros quadrados, fica localizado na Avenida Floriano Peixoto, próximo ao ginásio O Meninão, e procura reconstituir um vilarejo rural..

Hoje a Vila Sítio São João atrai a atenção de milhares de turistas que além de ter essa doce ilusão de que estão verdadeiramente em um sítio ainda podem degustar bebidas e comidas típicas. Comprar o artesanato paraibano e participar de shows musicais. Coincidência ou não, durante a minha visita, quem estava se apresentando no palco principal, montado também nesse espaço do sítio. era outro cearense: o cantor Aduílio Mendes, natural do município de Choró que fica na região de Quixeramubim – CE.

Jurani Clementino
Campina Grande
Junho de 2022

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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