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Seja patriota e fique em casa

Gisa Veiga. Publicado em 22 de maio de 2019 às 11:36

Golpear as instituições democráticas, ainda que estas contenham graves defeitos, é próprio do autoritarismo exacerbado de alguns governos metidos a reinados absolutos. Pregar o fechamento do Supremo Tribunal Federal e a invasão do Congresso Nacional são pautas perigosas, de retrocesso, fascistas e ditatoriais. Mas são esses os pontos principais da movimentação pró-Bolsonaro que pretende ir às ruas no próximo dia 26.

 “Elegemos o Bolsonaro para governar, não o Congresso”, dizem os afetados e desinformados bolsonaristas nas redes sociais. Não, brasileiros, não somos uma monarquia da Idade Média. E até as monarquias modernas se valem do Legislativo para governar. Quem Bolsonaro pensa que é para governar sem o Congresso que elegemos? Que poderes especiais ele acredita que tem para renegar todo e qualquer contraponto e o sistema de freios e contrapesos de nossa democracia? Que lunático é esse que quer rasgar a Constituição Cidadã e usa o nome de Deus em vão para enganar e entorpecer o povo?

Se ministros do Supremo agem em desconformidade com o ordenamento jurídico, que sejam responsabilizados, isoladamente, por suas ações. A instituição não só deve permanecer, mas também ser fortalecida e defendida pela sociedade. Se deputados e senadores fazem negociatas espúrias, que também sejam responsabilizados judicialmente. Mas nunca, jamais, deve-se pensar em desvalorizar o Congresso Nacional. Se o nobre eleitor votou errado, aí é um problema dele – e de todos nós, evidentemente. Portanto, não terceirizem a culpa pela existência de políticos inescrupulosos. Não ajam como se não tivessem nada a ver com isso.

Ir às ruas no próximo dia 26 é prova inconteste de desapreço à democracia – e ela contém seus riscos, sim, mas é melhor com ela do que sem ela -, de falta de patriotismo – e não o contrário, como os fanáticos querem fazer entender -, de desrespeito às instituições. O que pensa essa gente se não houver STF ou Congresso Nacional?

Ah, claro, essa gente que irá às ruas simplesmente não pensa. Não calcula os riscos. Já os primeiros e mais entusiasmados bolsonaristas começam a raciocinar melhor. Estão vendo a enrascada em que se meteram e querem desatrelar seus nomes do atual governo lunático. Esperteza, oportunismo político ou genuíno arrependimento?

Janaína Pascoal já pulou fora, falta só oficializar. O idealizador do Movimento Brasil Livre (MBL), deputado Kim Kataguiri, também está se insurgindo contra o governo. Primeiro, com relação aos cortes na Educação. E agora, em relação a esse movimento previsto para o dia 26, por não concordar com essas principais pautas que golpeiam a democracia conquistada a duras penas. Até a esfuziante e histriônica Joyce Hasselman dá sinais de que começa a encarar o óbvio: esse governo é uma piada de mau gosto.

Tem mais gente apeando. Por isso mesmo já são tratados como “comunistas” (quanta falta de criatividade!). O governo, estrategicamente, diz que a ideia da manifestação não partiu do centro do poder. Tipo: se for um fiasco, previsão que está ganhando força na bolsa de apostas, o governo não terá nada a ver com isso. Mas os célebres filhos 01, 02 e 03 já fizeram chamamento em suas redes sociais, então não dá para esconder o óbvio, vamos combinar.

No rumo que as coisas vão tomando, esse Messias irá para o sacrifício. Não com o especial propósito de Jesus Cristo, crucificado injustamente e que voluntariamente se ofereceu para salvar a humanidade. Não, Jair jamais se sacrificará ou aos seus filhos pelos brasileiros. Irá para o sacrifício porque lhe faltam inteligência, humildade, sensibilidade, competência. E lhe sobram egocentrismo, arrogância, sede de absolutismo, apego a métodos violentos e desrespeito aos apelos do seu povo.

Seja patriota. Fique em casa e torça para que não haja nenhum desempregado ou injustiçado em sua família.

Amém?

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Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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