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Campina Grande - PB

Sede de Deus

Justiça determina manutenção do racionamento em Campina e região - image data on https://paraibaonline.com.br18/03/2017 às 16:33

Fonte: Da Redação

Justiça determina manutenção do racionamento em Campina e região - image  on https://paraibaonline.com.br

Por: Padre Assis

A Quaresma tem um caráter essencialmente batismal, sobre o qual se baseia o caráter penitencial. A partir do século IV, quando foi organizado o catecumenato a Quaresma antiga era o contexto próprio da última etapa de preparação dos catecúmenos para os sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma) na vigília pascal.

A Quaresma é um caminho de purificação que nos ajuda, celebrando a iniciação cristã de jovens e adultos, a renovarmos a graça do nosso Batismo na noite santa da Páscoa. Ela é método de revisão e aprofundamento da fé batismal, baseado na contemplação bíblica de três passagens do evangelho de São João: (cap. 4; 9; 11) que nos ajudam a compreender a pessoa de Jesus “a água viva, luz do mundo e verdadeira vida”.

O que marca este terceiro domingo da Quaresma batismal é a água, símbolo da vida e as sedes que nos atormentam. Neste domingo centrado no simbolismo da água, essencial para a vida, experiência dela jorrando da rocha golpeada por Moisés para saciar a sede do povo no deserto (cf. Ex 17,3-7) mas, sobretudo, o encontro de Jesus com a samaritana (cf. Jo 4,5-42) revela passo a passo toda a dimensão pascal, por esse motivo desde as origens das comunidades cristãs, este episódio assume uma importante função na catequese batismal: a experiência do encontro pessoal com Jesus que suscita a fé e abre a uma procura do sentido da própria vida e de Deus, desagua em uma pergunta pertinente e crucial para os nossos dias: Quais são as fontes que alimentam nossa vida espiritual?

O povo de Israel após ter sido libertado da escravidão do Egito, guiado por Moisés começa um longo caminho pelo deserto para chegar à “terra prometida”. No inicio da caminhada foi testemunha de grandes sinais, mas depois vieram as dificuldades próprias do deserto: cansaço, fome, serpentes venenosas… e sede.

O livro do êxodo relata dois episódios relacionados com a água: No primeiro, das “águas amargas” (Ex 15,22-27), Deus pôs à prova o povo, em hebraico “Massá” (tentação); no segundo (Ex 17, 1-7) é o povo que pretende por à prova o Senhor, “Meribá” (discussão); Em “Massá” duvida-se da presença do Senhor no meio do seu povo, já em “Meribá” a falta d’àgua leva o povo revoltado a duvidar da autoridade de Moisés e discutir com ele: “Por que  nos fizeste subir do Egito, para nos matar de sede a nós, a nossos filhos e a nossos animais?” (Ex 17,3)

Para o povo, Deus não o teria conduzido para a vida e sim para a morte no deserto. Moisés clama a Iahweh e Ele lhe promete que da rocha brotará água suficiente para acalmar a sede do povo.

O evangelho de João, nos oferece uma das cenas e diálogos mais bem construídos do quarto evangelista; o relato, em seu vivo e intenso diálogo em torno do poço de Jacó.

Assim como o deserto ou a montanha, o poço, cenário do encontro de Jesus com a samaritana, tem um grande valor simbólico, representa o Antigo Testamento. Jesus é maior do que Jacó; a água do poço de Jacó podia saciar a sede; mas Jesus oferece uma água de outra natureza. Uma água que pode satisfazer plenamente a pessoa humana.

Jesus passa por um território de herejes, como eram condiderados os samaritanos pelos judeus ortodoxos. É uma velha história de ódios e rancores por causa da religião. Um judeu devia evitar todo contato com os samaritanos, pois eles eram não somente impuros, mas herejes.

Jesus, “fatigado da caminhada, sentou-se junto à fonte. Uma mulher da Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber!” (vv. 6-7) Jesus descansa na beira do poço, está fatigado e tem sede. A fadiga de Jesus, sinal de sua verdadeira humanidade, pode ser vista como um prelúdio da paixão, com a qual Ele completou a obra de redenção.

Espera que chegue alguém e lhe dê de beber, pois não tem com que tirar a água. Mas, quando chega aquela mulher samaritana, ele mostra uma sede diferente, um forte desejo de livrar essa mulher de seu pecado.

“Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?” (v. 9) diz a mulher totalmente surpresa. O diálogo é saboroso, é um diálogo com alguém maldito, carregando às costas o peso de preconceitos seculares, de seus amores vazios, de suas infidelidades, desilusões e insatisfações como o cântaro vazio às suas costas.

O “cântaro” também representa aquilo que nos dá acesso às propostas incompletas de felicidade que a modernidade nos oferece.

Jesus oferece em troca à samaritana a “água viva”: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: Dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva!”(v.10) Então vai acontecer uma inversão total, a samaritana é quem passará a ter sede espiritual e pedirá desta “água viva”. A expressão “água viva” representa o Espírito Santo, o dom por excelência que Jesus veio trazer da parte de Deus Pai.

Jesus oferece água viva, que segundo João é o espírito que dá a vida eterna (cf: Jo 7, 37-39). Quem renasce da água e do Espírito Santo, ou seja, no Batismo, entra numa relação real com Deus, uma relação filial, e pode adorá-lo em espírito e verdade (v. 23.24) como revela Jesus à mulher samaritana.

Aí ela vai abandonar o “cântaro”, significa que a samaritana vai romper com todos os esquemas de procura de felicidade egoista, parcial, incompleta. E nós estamos dispostos a abrir o nosso coração ao Espírito que Jesus nos oferece e que exige uma vida nova?

Em nosso caminho de conversão é muito importante que tenhamos sede, sede de Deus. A sede é uma figura dos nossos muitos desejos. Movimentamo-nos constantemente para os satisfazer, Uns são mais improtantes que outros. Todos devem estar centralizados num só: o desejo de amar a Deus sobre todas as coisas. A pessoa dos nossos desejos tem um nome que estáacima de todos os nomes: Jesus Cristo.

A samaritana ia todos os dias ao poço por causa da sua sede. A água do poço é o símbolo de todas as satisfações materiais, de todos os prazeres que procuramos, na esperança de encontrar neles a própria felicidade, mas no fim são águas amargas que deixam sempre muito vazio e muita desilusão, muito amargor na boca.  

Mas, o problema mais grave das pessoas hoje é que já não sentem mais sede de Deus, decidiram viver sem a necessidade de Deus. A pessoa que não sente sede de Deus, não busca a Deus, busca aplacar sua sede em outras fontes diferentes de Deus (a mentira, o roubo, a corrupção, o adultério…).

Sede espiritual, sede psicológica sempre teremos, desde o momento mesmo em que começamos a sentir e pensar. Mas, nem toda sede da alma é sede de Deus e, quando não é Deus o que sacia nossa sede, intentamos saciá-la em mananciais efêmeros e quase sempre de águas contaminadas. Nascemos sedentos de água física, da água que tira a sede do corpo e também nascemos sedentos de água psicológica e espiritual, da água que sacia a sede da alma. Passamos a vida buscando mananciais onde saciar a sede da alma.

A sede do corpo podemos saciá-la aqui, mas um dos grandes problemas dos cristãos, neste momento, é, como despertar a sede de Deus, a sede da alma e saciá-la. É uma tarefa e uma missão difícil.

“Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede.” (v.15) disse a samaritana. Cada um de nós pode identificar-se com a mulher samaritana: Jesus espera-nos, especialmente neste tempo da Quaresma, para falar ao nosso, ao meu coração.

Dá-me dessa água… Também nós dizemos. Senhor, nós, sedentos vos rogamos que nos dês de beber a “água viva” que vós prometestes. Faz que se cumpra em nós vossa palavra: “a água que eu lhes der tornar-se-á nele fonte de água jorrando para a vida eterna.” (v.14)

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