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São Pedro e São Paulo, construtores da Igreja

Padre José Assis Pereira. Publicado em 1 de julho de 2017 às 13:04

Por Padre José Assis Pereira

A Igreja celebra numa única festa, solenemente neste domingo em todo o Brasil, dois santos que se empenharam com generosidade na construção da Igreja de Jesus Cristo: São Pedro e São Paulo.

Pedro, natural de Betsaida, exercia a profissão de pescador no mar da Galiléia e ao convite de Jesus abandonou o barco, as redes, a família e os amigos, para seguir o Divino Mestre e tornou-se um dos Doze Apóstolos, que foi escolhido para ser o primeiro Papa e deu a vida pelo Mestre, morrendo martirizado depois de se ter empenhado na difusão do Evangelho.

Paulo, nascido em Tarso, artesão, fabricante de tendas por profissão. Começou a estudar a Escritura aos pés de um mestre judeu chamado Gamaliel, que fundara uma escola bíblica. Perseguiu os cristãos porque estava convencido de que assim fazia a vontade de Deus. Converteu-se às portas da cidade de Damasco, por uma intervenção sobrenatural, e tornou-se o maior evangelizador de todos os tempos e morreu também mártir em Roma, como Pedro.

A Igreja nasceu do lado aberto de Cristo na Cruz e cresce pela força das nossas mãos humanas com as de Deus. Alegremo-nos pois, como Pedro e Paulo as duas colunas e alicerce da Igreja, todos nós cristãos batizados recebemos a mesma vocação de construtores da Igreja.

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja…” lemos no Evangelho (cf. Mt 16, 13-19), Jesus referia-se à fé que Pedro nele proclamara como “o Messias o Filho do Deus vivo”. Esta fé estabelece o fundamento da Igreja, torna-a imbatível e capaz de aniquilar as forças adversas. Todos aqueles que, como Pedro, praticam a fé em Jesus, “o Messias, Filho do Deus vivo”, passam a fazer parte deste edifício eclesial que nunca será demolido. Nada, nem ninguém, poderão impedir a Igreja de realizar a sua missão de salvação.

Este Apóstolo aparece sempre em primeiro lugar e é aquele que deve autenticar a fé dos outros. Ele é o encarregado de manter a unidade de todos os cristãos nessa mesma fé. Por isso, a Igreja tem no bispo de Roma, o Papa, sucessor de Pedro, o encarregado de preservar a fé em Cristo irradiada por esse apóstolo, a fim de efetuar tal missão no decurso dos tempos.

O Apóstolo Paulo encarcerado numa prisão de Roma, sabendo que o seu fim está próximo, escreve a Timóteo, seu companheiro de missão (cf. 2Tm 4, 6-8.17-18), fazendo uma revisão de toda a sua vida. Afirma que, no anúncio do Evangelho, cumpriu a sua principal obrigação tal como os atletas que participam nas competições desportivas no estádio. Gastou todas as suas forças no anúncio da Boa Nova e afirma: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Está seguro de que Deus lhe dará também a ele, no dia em que for recebido na morada eterna, a coroa da vitória que esperam todos aqueles que, como ele, tenham lutado pela verdadeira justiça anunciada por Jesus.

Pedro e Paulo, ambos nos ensinam a dedicação plena à Igreja de Jesus e com que empenho amoroso, com que lealdade, com que desapego e com que bravura deve ser realizada a missão de anunciar o Evangelho. Eles são exemplo de como devemos ser fiéis à vocação cristã, sobretudo, quando somos confrontados com situações difíceis tais como: a perseguição, a incompreensão, a angústia, a solidão, o desentendimento ou a exclusão a que nos possa sujeitar.

É provável que muitos de nós em mais de uma ocasião nos achemos perdidos e alguém, algum “anjo”, nos tenha salvado. É bom reconhecer a mão de Deus em nossa vida, mão poderosa que tem feito possível o que a nós nos parecia humanamente impossível. Como nos refere os Atos dos Apóstolos (cf. At 12, 1-11), quem está sofrendo por causa de Cristo deve demonstrar, como Pedro, o seu amor sincero e devoto à Igreja, mesmo quando tudo e todos nos são adversos. “O anjo despertou Pedro e disse-lhe: “Levanta-te depressa! E as correntes caíram-lhe das mãos… Então Pedro caiu em si e disse: Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes…”. Acreditemos que ao nosso lado teremos sempre “o anjo do Senhor” para nos proteger e libertar, como fez com Pedro no momento em que ele mais precisou.

Os primeiros cristãos tinham tal devoção aos anjos e trato com eles que, quando Pedro bateu na porta onde a Igreja estava reunida e a serva foi anunciar que era Pedro quem estava à porta, responderam: É o seu anjo.

Certos de que cada um de nós tem seu anjo que o guarda. O Senhor seguirá livrando-nos de todo mal.

Quando todas as esperanças humanas se esvaem, tenhamos a certeza que o Senhor intervém para nos salvar. Nada acontece à Igreja, sem que o nosso Deus o permita. E, se o permite é porque resulta um grande bem para ela.

Não é difícil ver hoje como os poderes hostis se assanham contra a Igreja, contra o Papa. Se pensarmos nos dois milênios de história desta Igreja de Cristo, podemos observar que nunca faltaram para os cristãos as perseguições. Mas, apesar dos sofrimentos que provocam, não constitui as perseguições o perigo mais grave para a Igreja. O dano maior, o que ameaça seriamente a Igreja é tudo aquilo que polui a fé e a vivência cristã dos seus membros e das suas comunidades, corrompendo, enfraquecendo a sua capacidade profética e de testemunho, a infidelidade ao Evangelho. No entanto temos uma certeza de libertação garantida por Deus à sua Igreja, liberdade quer dos vínculos materiais que procuram impedir ou limitar a sua missão, quer dos males espirituais e morais, que podem corroer a sua autenticidade e credibilidade. “o poder do inferno nunca poderá vencê-la.”

Os tempos atuais não estão sendo fáceis para vivermos nossa fé cristã, há perseguições à Igreja em todo o mundo, sob as mais diversas formas e pretextos: e de modo claro, na Ásia e na África. “Não foram só Pedro e Paulo que deram o sangue por Cristo, mas, desde os primeiros tempos, toda a comunidade foi perseguida, como nos recorda os Atos dos Apóstolos (cf. 12, 1). Também hoje, em várias partes do mundo, por vezes de maneira velada, num clima de silêncio – e, não raro, um silêncio cúmplice –, muitos cristãos são marginalizados, caluniados, discriminados, vítimas de violências mesmo mortais, e não raro sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados.” (Papa Francisco) Assassinam os irmãos só pelo fato serem cristãos. Forças políticas querem apagar o nome de Deus, e, sobretudo de Cristo, da vida social e parece que o conseguem e se escuta o chamamento à desobediência, inclusive à luta contra a Igreja.

As pessoas não se apercebem de que estão cada vez mais sendo dificultadas a viver as exigências da fé e lhes falta a liberdade religiosa. Retiram-se dos espaços públicos ou ridicularizam-se aqueles que portam símbolos religiosos ou cumprem as exigências da fé cristã.

Ao mesmo tempo, a ignorância religiosa e doutrinal junto ao comodismo, é um grande mal nos nossos dias e afastam as pessoas dos caminhos de Deus, pois muitos ignoram o que há de mais elementar acerca do caminho a Salvação. Sendo assim, muitas pessoas simplesmente ignoram quem é Jesus Cristo.

É preciso que tenhamos fé inquebrantável na Igreja. Ela é a barca de Pedro que nunca naufragará. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.”

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Padre José Assis Pereira

* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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