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São Pedro e São Paulo amor a Cristo e a Igreja

Padre José Assis Pereira. Publicado em 1 de julho de 2018 às 9:30

Neste 13º Domingo do Tempo Comum celebramos ao mesmo tempo a memória litúrgica de São Pedro e São Paulo. Normalmente a celebração dos domingos de qualquer tempo, e em especial, durante o Tempo Comum só dá lugar às “Festas do Senhor”. Mas o papa emérito Bento XVI em 2008 decretou este domingo como abertura do Ano de São Paulo e deixou claro que se pode optar pela celebração dos dois apóstolos considerados “fundadores da nossa fé” quando coincida a festa desses e o domingo ordinário.

A Igreja é uma construção que se edifica a partir dos fundamentos. E o alicerce uma vez colocado deve ficar aí para que o edifício não venha abaixo. “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja.” (Mt 16,18) Pedro é a pedra que se apoia diretamente sobre a pedra angular que é Cristo, “pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou a pedra angular” (Mt 21,41).

O apelido “Pedro” dado a Simão não era apto para caracterizar o temperamento ou o caráter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou a firmeza da rocha, mas antes a debilidade, a mobilidade e até a inconsistência.

Pedro, pescador da Galiléia era um homem inculto, titubeante em suas convicções, mas foi sempre sincero, espontâneo, disposto a reconhecer e a chorar seus erros. Foi capaz de deixar tudo, família, casa, barco, para seguir inteiramente o Senhor Jesus. É este amor a Jesus que dá total confiança no perdão do Mestre, após suas negações e por sua grande amizade ao Senhor, foi escolhido para apascentar o rebanho do mesmo Jesus Cristo.

O Evangelho de hoje (cf. Mt 16,13-19) narra a promessa de Jesus de fundar a sua Igreja sobre a rocha que é Pedro. Se o Mestre o fez fundamento de sua Igreja é em razão da função ou cargo em que há de investi-lo. Deus mesmo lhe revelou que Jesus era o Messias: “E vós, quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” (vv. 15-16) É sobre esta profissão de fé e sobre a consequente declaração de Jesus que se funda a sua Igreja.

Podemos esquecer agora do texto e do contexto evangélico e perguntar-nos a nós mesmos: Quem é para mim, Jesus de Nazaré? Esqueçamos o que nos disseram nossos catequistas e das respostas que aprendemos. Entremos no santuário de nossa consciência e a sós conosco mesmo repitamos, tranquila e profundamente, a pergunta: Quem é para mim Jesus de Nazaré? Até que ponto minha fé nele condiciona e dirige toda minha conduta? Tomara que da resposta, sincera que demos, possa

dizer-se também que “não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (v. 17).

Tiramos daqui uma lição importante para nós: o que conta é por Jesus no centro da nossa vida, de modo que a nossa identidade seja marcada essencialmente pelo encontro, pela comunhão com Cristo e com a sua Palavra.

“Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (v. 18), aqui nos encontramos com uma das referências mais claras de fortaleza e segurança com a qual Jesus fazia seus irmãos participantes da construção do Reino de Deus. Deus não quer super-homens para levar a cabo seu Reino. Deus quer respostas. Somos nós os novos “Pedro”. Mesmo com nossas histórias (boas ou más), limitações, que não são poucas, com os caminhos às vezes contrários à fé, mesmo sendo como somos. Deus segue contando conosco, essa carne fraca e pecadora que somos nós homens e mulheres: põe o tesouro do seu Reino em nossas mãos, põe a sua Igreja em nossos ombros e não em ombros de anjos. Tomara que com o exemplo de Pedro sejamos capazes de dizer como ele: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo” (Jo 21,17) e de nos sentirmos amigos de Deus e oferecer-lhe a nossa vida.

O Apóstolo Paulo era mais culto, mais seguro de si mesmo. Foi um homem sem medos. Estava seguro que Deus estava com ele e é esta segurança que permite a Paulo assumir riscos e dificuldades em sua missão evangelizadora. É assombrosa a serenidade e a coragem com que Paulo, fiando-se em Deus, enfrenta em muitas ocasiões dificuldades que pareciam insuperáveis. Que grande lição para nós que com frequência somos tão vacilantes, tímidos, com a alma cheia de angústias e temores!

Ao final de sua vida Paulo tem consciência de ter sido fiel: “aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça”. (2Tm 4, 6-8) O Apóstolo levou a mensagem de Cristo em toda sua integridade, lutou, correu até alcançar a meta, agora espera a justa recompensa, que Cristo dá a quantos lhe seguem e proclamam sua verdade no mundo.

Pedro e Paulo tinham personalidades distintas, viveram, contudo, sempre irmanados pelo amor a Jesus e pela mesma fé, mas cada um viveu sua experiência de fé em conformidade com seu temperamento, com suas convicções e com seus sentimentos mais profundos.

Assim como Pedro e Paulo, cada um de nós é diferente e devemos viver nossa fé, uma mesma fé, de acordo com nosso próprio temperamento, nossas próprias convicções, nossa própria maneira de sentir e de amar a Deus e ao próximo. A fé cristã, evidentemente, é una e única, mas a vivência e a expressão dessa fé será sempre pessoal e intransferível, ainda que nossa profissão de fé se faça dentro de uma mesma Igreja. O importante é que não percamos nunca a fé profunda e fundamental de Pedro e a fé católica e universal de Paulo. E que sejamos sempre respeitosos com as convicções de fé dos outros.

Esta solenidade de hoje proporciona-nos uma vela oportunidade para renovarmos nossa profissão de fé nesta Igreja una, santa, católica e apostólica e também meditar nosso amor a essa Igreja fazendo um exame de consciência: Quem é a Igreja? Para os cristãos católicos, a Igreja é nosso “eu” plural, o Corpo Místico de Cristo do qual eu sou membro.

O amor à Igreja é consequência da nossa filiação divina: somos filhos de Deus, porque Cristo fundou a Igreja que fez renascer pela água e pelo Espírito Santo para a vida divina. Quais as obrigações de um filho para com sua mãe? Amor, respeito, obediência, docilidade filial. São estes os sentimentos que devemos ter para com a nossa Mãe Igreja.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Padre José Assis Pereira

* Padre José Assis Pereira Soares é párcoco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro da Palmeira.

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