Fechar

logo

Fechar

Rodrigo Mello: Sejamos ambiciosos e vamos ser ricos!

Rodrigo Mello. Publicado em 26 de outubro de 2020 às 20:23

De volta à minha proposta primeira, na semana passada, continuemos a edificar riqueza. Para esta finalidade, precisamos de um recurso importantíssimo que, infelizmente, é tão mal compreendido em nosso cotidiano: a ambição! Quando fazemos referência à ambição, principalmente entre aqueles que gostam de posar de “humilde” (sem sequer saber, também, do que se trata a própria humildade – pois o humilde não faz pose), a ideia é de que a ambição é coisa de gente prepotente, arrogante e ganancioso. Ledo e trágico engano!

Existem dois problemas importantes nessa postura equivocada acerca da ambição: 1) de ordem psicológica mais profunda – algo relativo a uma projeção do próprio desejo e disposição mesquinha que está nas sobras do psiquismo de quem projeta (nos outros) sua própria prepotência, arrogância e ganância, de modo velado; e 2) a pura ignorância semântica da palavra ambição, que não tem relação nenhuma com ganância (sendo esta segunda, uma experiência que, inclusive, gera muita inveja).

Por esta razão, a ambição é algo que também requer uma reflexão numa esfera essencialmente ética, pelo fato de que “uma vida boa com e para o outro em instituições justas” – como já dizia o filósofo francês Paul Ricoeur – somente pode ser vivida em uma sociedade rica! A bem da verdade, a principal ambição de quem trabalha desenvolver a capacidade de ser rico (ou mesmo já é rico), não está no dinheiro, ou em posses das mais variadas, mas, na felicidade, na abundância e na plenitude de sua alma.

Essa compreensão é diametralmente oposta à ganancia, que se caracteriza como sendo uma disposição egocêntrica e mesquinha, presa à fantasia de que ter dinheiro ou posses pode lhe garantir – por si só – as condições para fazer as afirmações das quais ele (no fundo) sabe que não é, nem consegue ser.

Geralmente, a ganância está associada à inveja e a disposição de um indivíduo de medir-se pelos outros, na busca incessante de querer ser superior aos outros – ou mesmo de não está abaixo de quem ele acha que está acima dele (coisa de quem não tem autoestima). Com isso, já é possível perceber que o ganancioso é o pobre da história, certo?

Por mais dinheiro que um ganancioso – eventualmente – possa conseguir (em um determinado momento de sua vida), ele terá sempre uma espécie de vazio profundo dentro de si, que nada o fará se sentir pleno e feliz. Alguém ganancioso vive a angústia profunda de nunca ser a fantasia que ele tem a respeito do outro… Sempre o “jardim do vizinho” será o melhor e o mais bonito que o dele – e, não por acaso, o ganancioso é quase sempre um invejoso. Esta é a verdadeira pobreza: a situação na qual um indivíduo é incapaz de realizar quem ele poderia ser.

Não é assim um ambicioso! Alguém experimenta a ambição de ser, a partir de sua vocação mais íntima e profunda… Que busca expandir e desenvolver a sua capacidade de realizar a própria vida… Que amplia seus horizontes, traçando (em sua própria vida) metas para alcançar toda a abundância que ainda nem consegue perceber, mas que toma por princípio de que ela lhe espera…

É alguém que vive ambição. Ambição gera riqueza! Pois, “mover-se livremente” é o fundamental da palavra ambição, no latim. Um sujeito ambicioso tem como base de suas ações – precipuamente – a liberdade! E os ricos NÃO BUSCAM DINHEIRO, buscam LIBERDADE!!! Por isso, ricos são ambiciosos, e não gananciosos!

Então, caros leitores, permitam-me finalizar este pequeno texto dizendo uma coisa a vossas mercês: a riqueza ou a pobreza são GESTADAS nas profundezas do nosso psiquismo… Nas entranhas de nossas mentalidades… Nos valores que cultivamos no dia-a-dia a respeito do quanto queremos ser livres ou escravos (muitas vezes de nossas próprias fantasias de pequenez). Tenhamos ambição! A mais importante de todas: a ambição de viver e realizar-se plenamente. Um forte abraço!

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Rodrigo Mello
Rodrigo Mello

Doutor em psicologia clínica. Com formação em Direitos Humanos, Psicologia Econômica, Educação Financeira e Arquitetura de Escolha, com 15 anos de experiência na psicoterapia, atuando na docência e elaboração de laudos perícias para fins judiciais.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube