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Rodrigo Mello: Liberte-se e enriqueça!

Rodrigo Mello. Publicado em 3 de novembro de 2020 às 22:22

Na coluna da semana passada, tratamos sobre a importância de mover-se livremente para instaurarmos as condições primeiras da produção de riqueza. Pois é… A liberdade é um fator essencial para criar abundância. Nesse mesmo sentido, finalizei a coluna dizendo que a ambição – que é a capacidade de mover-se livremente – é algo que começa na economia psíquica de cada um de nós. Depende de fatores externos, obviamente, mas é algo que necessita ser trabalhado no nosso interior, através da elaboração de uma mentalidade de riqueza e abundância.

Por esta razão, tudo perpassa por um movimento íntimo e imprescindível a cada indivíduo, especialmente no sentido de olhar para si mesmo e refletir sobre o que, de verdade, é necessário para que possa realizar-se plenamente. Esta é uma tarefa que você precisa fazer sozinho e ninguém poderá fazê-la por você, pois nela está a essência da liberdade: um altíssimo senso de responsabilidade! O psiquiatra e psicólogo austríaco Viktor Frankl (1905-1997), fundador da Logoterapia, ao tratar sobre questões de cunho ético, colocava o paradoxo liberdade/responsabilidade como central em suas reflexões a respeito do sentido da vida de cada um.

Cada um de nós tem inúmeros sentidos para viver! Principalmente as pessoas ambiciosas, que possuem um desejo significativo de experimentar a capacidade de ser livre e realizar-se plenamente. Contudo, é importante ressaltar que a liberdade requer uma mentalidade rica e abundante – detalhe: percebam que eu não falei de dinheiro, primordialmente (embora, tenha sua importância, também).

Essa compreensão é importante, pois rico não é quem tem apenas dinheiro, mas a pessoa que tem liberdade. Todos nós conhecemos pessoas ou história de algumas delas, que possuem uma quantidade significativa de dinheiro, mas possuem algumas restrições psicológicas que os impede, inclusive, de usufruir desse próprio recurso finito (as suas finanças).

Essas limitações psicológicas podem acontecer por, pelo menos, duas situações distintas: a primeira, por problemas de ordem psicopatológica (adoecimentos psíquicos), e a segunda, por questões de mentalidade. Na experiência clínica – vivida ou estudada na literatura (através dos chamados “Estudos de Casos”) – tomamos conhecimento de pessoas que vivem momentos dificílimos em suas vidas íntimas e psíquicas, nas quais, muitas vezes, chegam até a comprometer o seu patrimônio, devido à desorganização psicológica.

Quadros de depressão, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares, transtornos obsessivos compulsivos, dentre outros, são alguns dos exemplos de problemas que podem, até – em alguns casos (os mais graves e complexos) – desdobrar-se até em processos de judiciais de interdição desses sujeitos, para que eles não coloquem em risco o patrimônio de toda uma família.

O que significa dizer que o adoecimento psíquico é um fator importante de dificuldade para que possamos lidar com nossas finanças e isso compromete nossa liberdade. Obviamente… É um momento de dificuldade em decorrência de um problema de saúde mental. Nessas circunstâncias, inclusive, é muito importante procurar psicólogos e, até mesmo psiquiatras, para os encaminhamentos necessários à reabilitação da saúde psíquica do sujeito.

Por outro lado, nossa liberdade (inclusive a financeira) também pode ser comprometida em função de uma mentalidade de escassez, de ganância ou de valores ético-morais de avareza! Sendo essa segunda razão [a da mentalidade], o principal problema da maioria dos brasileiros que tem dificuldades de lidar com suas finanças.

Nesse caso, nossa capacidade de enriquecer fica limitada por uma compreensão que – em última análise – reflete um sujeito de uma vida desocupada e descuidada de si mesmo, na qual perde a noção da própria existência e toma os outros como referência e parâmetro: um indivíduo não só perdido financeiramente, mas, também, existencialmente. Quando nos deparamos com pessoas que entendem ser “o jardim do vizinho mais bonito”, certamente o próprio jardim não está recebendo a atenção que merece. Surge a irresponsabilidade consigo mesmo e, consequentemente, o sujeito está preso a uma mentalidade de pobreza.

Esperar que alguém ou algo faça o trabalho de enriquecer por você, significa dizer que você já fracassou no primeiro passo. Não! É você que tem que, precipuamente, responsabilizar-se por sua vida, sobretudo financeira, e exercer a liberdade de conduzi-la de acordo com suas necessidades.

A liberdade vivida através da verdadeira riqueza é aquela na qual o sujeito reconhece-se autor da própria vida, de tudo que nela produziu e é contente com sua obra. Nesse contentamento, ele cultiva e cuida do que fez e faz… Responsabiliza-se por si mesmo e pelas consequências de suas ações e, por isso, tem garantida a sua liberdade de ação – pois, ele sabe o preço de suas “ações” e os “dividendos” de cada um dos investimentos ou desinvestimento em sua vida.

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Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Rodrigo Mello

Doutor em psicologia clínica. Com formação em Direitos Humanos, Psicologia Econômica, Educação Financeira e Arquitetura de Escolha, com 15 anos de experiência na psicoterapia, atuando na docência e elaboração de laudos perícias para fins judiciais.

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