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Rodrigo Mello: Com quem nos associamos? A qualidade de nossas associações e o enriquecimento

Rodrigo Mello. Publicado em 1 de dezembro de 2020 às 21:09

Na última coluna que publiquei, neste generoso espaço, tratei acerca da importância do serviço prestado pela família, como um recurso fundamental de produção de riquezas.

Obviamente que o início desta feliz associação de pessoas, começa na relação voluntária de dois indivíduos que se destinam a construir um espaço sólido de convivência, cooperação e desenvolvimento de sua prole.

Contudo, quando uma família cresce, nem todos os membros dela, tão pouco os demais que se associarão aos seus partícipes – tais como genros, noras, sogros, sogras, cunhados, cunhadas, sobrinhos, sobrinhas, tios, tias e até mesmos irmãos – viverão a mesma harmonia e disposição para associarem-se tão bem quanto um casal disposto a unir suas vidas e realizar a maior de todas as associações da civilização: um casamento. Daí o famoso ditado: “Irmãos são os amigos que a vida nos deu… Amigos são os irmãos que nós escolhemos na vida” – por esta razão, a importância de sabermos fazer as melhores escolhas dos nossos amigos e de quem nos circunda.

Essa rápida introdução, para evocar uma importante lição que aprendi do educador financeiro judeu, Ben Zruel, que fundamenta o que ele entende ser um “Pilar” para uma vida próspera, a associação. Zruel afirma que existem três tipos de associações: a indesejada, a tolerada e a desejada. A amizade indesejada assemelha-se ao que hoje chamam de “amizade tóxica”.

É aquele tipo de relacionamento pseudoamistoso, no qual o suposto amigo age com inveja, despeito e negatividade, geralmente a espreita, aguardando deslizes equívocos, para justificarem-se e acharem-se superior a você (pois, são incapazes de tomar-se como referência, padecendo de uma péssima autoestima).

Esses indivíduos figuram-se como “buracos negros” que nunca prosperam e, geralmente, dificultam a prosperidade do outro. Não são capazes de fazer o que pensam ser supostamente expert no assunto, mas, procuram rechaçar e criticar pessoas que realizam as atividades que ela se julga capaz, por vezes acusando o outro de invejoso e “ladrão de ideias” – realizando, assim, uma grande projeção de si mesmo no outro. Estar ladeado por indivíduos com essa postura é – sem dúvida – um grande desserviço à prosperidade e ao enriquecimento.

Além dessas associações indesejadas, existem aquelas associações toleradas. São aquelas que, geralmente, estão em nossas famílias e parentescos, que não é saudável romper com eles, mas conviver o mínimo de tempo possível ajuda muito a não ter seus planos e projetos de crescimentos prejudicados.

Imagine aquele familiar ou parente que, em um almoço de domingo, ou mesmo em uma conversa do cotidiano, ouve você falar de um projeto, um plano ou um empreendimento seu etc., e ele logo diz: “Não… Isso não vai dá certo”, ou mesmo “Isso é muito difícil… Onde você vai arrumar dinheiro pra conseguir fazer? Pensa que dinheiro é assim fácil?” – colocando o dinheiro, não como um elemento favorecedor, mas um impeditivo para a realização de um empreendimento.

Na associação indesejada é importante que você corte logo! Uma forma de se preservar. Mas, quando se trata de um parente, um familiar, um chefe etc., que não é razoável entrar em rota de colisão, tolera-se até a primeira oportunidade de você se afastar por um bom tempo – o suficiente para não atrapalhar seus projetos. E por último, mas não menos importante, a associação desejada! Aquela que prospera junto com você. A associação que se alegra e exulta quando você se desenvolve e faz isso com você!

Uma vez ouvindo uma fala de Lenadro Karnal, ele disse que os verdadeiros amigos você não identifica na hora da necessidade e do sofrimento, mas nos momentos em que você conta pra ela o quanto prosperou nos seus negócios… O quanto você faturou a mais naquele mês de trabalho… Quando você é promovido… Passa numa seleção importante… E ver que os olhos daquele seu amigo brilham junto com os seus.

Diferente do olhar maligno do suposto amigo – da associação indesejada – que logo diz coisas do tipo: “Você teve sorte”… “Também… Se não fosse fulano ou beltrano você não tinha conseguido”… “Cuidado que tudo na vida passa”… E é nessa hora que você aproveita e diz: inclusive essa suposta amizade.

É fundamental que pensemos e saibamos com quem estamos nos associando. Na vida fazemos inúmeras associações e aprendemos com elas. Sempre trabalho esse conteúdo com meus alunos da disciplina de Ética Geral, por ocasião de apresentar o pensamento aristotélico acerca da amizade. Aristóteles diz que existem três tipos de amizades, a saber: 1) por interesse; 2) por ocasião; 3) por virtude.

Nessa última, os amigos amam as mesmas coisas e, também, rejeitam as mesmas coisas. Não por serem idênticos ou mesmo incapazes de reconhecerem limitações, mas por pautarem seus relacionamentos na dimensão teleológica do bem! São amigos por amarem-se, desejarem e trabalharem pelo bem mútuo! Esta, sim, é uma associação rica! O resto… Reciclem. Até a próxima! Um forte abraço.

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Rodrigo Mello

Doutor em psicologia clínica. Com formação em Direitos Humanos, Psicologia Econômica, Educação Financeira e Arquitetura de Escolha, com 15 anos de experiência na psicoterapia, atuando na docência e elaboração de laudos perícias para fins judiciais.

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