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Roberto Hugo: Pescador de Ilusão

Roberto Hugo. Publicado em 2 de dezembro de 2019 às 15:36

Fui um pescador de ilusão durante anos de trajetória na imprensa esportiva da Paraíba. Nunca reneguei a ideia de que temos torcida de primeira divisão. Mas estamos plantados num estado pobre e sem visibilidade.

Vi ao longo desses anos muitos colegas falando em profissionalização do nosso futebol, com receitas de patrocínios e de torcedores além de opções alternativas pro fortalecimento dos clubes paraibanos.

Em toda minha trajetória como jornalista esportivo não conheci nenhum clube superavitário na Paraíba. Quase todos têm débitos impagáveis.

Não conheci nenhum dirigente de futebol que enriqueceu a custa de Treze e Campinense por exemplo. Conheci e conheço vários que perderam tudo ou boa parte do que tinham de seus patrimônios.

Só pra citar alguns: Jose Aurino, Mauricio Almeida, Ivan Farias, Deda Damião, Aluísio Salviano, Zito Buarque, Pedro da Percon, Luis Augusto e vou parando por aqui porque a lista é extensa.

Dirigir futebol na Paraíba, é colocar um produto a venda no mercado durante meses, sem ter lucro. Sequer tem visibilidade regional.

Não passa em TV aberta pro nordeste ver por exemplo. Os clubes vivem disputando competições deficitárias com chances remotíssimas de conquistá-las, com exceção do campeonato estadual.

O futebol paraibano sobrevive à custa de alguns abnegados e alguns agiotas, já que boa parte dos clubes não tem cadastro positivo na rede bancaria.

O produto futebol na Paraíba paga baixos salários a imprensa esportiva e as emissoras em sua grande maioria terceirizam os programas esportivos. Jogadores que chegam pra jogar aqui, são em sua grande maioria sobras das series D e C.

Alguns já chegam com clausula de rescisão nos contratos caso surjam propostas melhores. A mídia de televisão que gera alguma receita com futebol sequer mostra a serie B na TV aberta. Alias, série cobiçada pelos clubes paraibanos, mas tratada de forma jocosa pela imprensa do sul e sudeste.

O produto futebol no Brasil só tem visibilidade para 20 clubes da série A. E entre eles, cinco ou seis conseguem fechar suas contas.

Os demais estão caindo pelas tabelas financeiramente. Botafogo do Rio, Vasco, Fluminense, Corinthians, Cruzeiro e Santos são alguns deles.

Se profissionalizar o futebol paraibano, entra em coma em médio prazo. Porque nenhuma empresa sobrevive sem faturar durante quatro meses a cada ano.

E essa é a nossa triste realidade. Estamos às portas de uma nova temporada na Paraíba. Um filme repetido, de enredo conhecido e previsível.

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