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Roberto Cavalcanti: Verde que te quero verde

Roberto Cavalcanti. Publicado em 14 de outubro de 2019 às 18:46

Plagiando Federico García Lorca? Que nada, o título na verdade surgiu de uma constatação histórica: o verde é nosso, está na nossa bandeira, faz parte das nossas origens, do nosso sentimento. Fomos abençoados por Deus.

Hoje, assistimos à internacionalização de um debate que é nosso. O mundo é alimentado por um Brasil que há apenas 20 anos era importador de alimentos. Esse mundo tenta superar suas dificuldades à custa de uma bandeira que será sempre nossa.

Países mergulhados no pré-caos socioeconômico tentam envolver inimigo externo na plataforma de suas campanhas eleitorais prestes a ocorrerem.

A positiva preocupação ecológica é de todos nós. A defesa do meio ambiente e a nossa sustentabilidade jamais poderão ser envolvidas e contaminadas por disputas ideológicas pontuais. Está dentro da alma de uma geração que desponta.

Em recente almoço familiar, fui surpreendido com a reação de minha neta mais nova, Clarinha. Como avô, convidei-a para estar comigo para viver bons momentos que sua inteligência ímpar sempre proporciona.

– O que deseja beber? – quis saber.

– Suco de laranja coado – respondeu Clarinha, sem vacilo.

Ao servi-la, busquei mais uma forma de ser gentil. Recebendo um canudo de plástico, envolto também em proteção de plástico, de imediato pus o mesmo em seu copo. Fiquei surpreso com a rápida reação dela.

– Vô, tira isso daí! Não uso canudo plástico, só de papel, descartável e biodegradável.

Que linda consciência ambiental.

É na busca da cooptação desse novo modelo de jovem que hoje tentam associar meio ambiente a certas ideologias. É um projeto de longo prazo, estratégico. Se depender de mim, jamais vamos perder essa bandeira, que nasceu na minha geração, desconectada de ideologias.

Atualmente, assisto o tema ser utilizado por quem, através do mesmo, busca superar incompetência, modelos obsoletos e ultrapassados.

Um novo público alvo de sua dogmática pregação foi eleito. Assisti, abismado, à utilização do tema meio ambiente e Amazônia, como forma de popularizar e resgatar espaço religioso.

Parte da igreja católica espera com essa estratégia recuperar o espaço perdido para as igrejas pentecostais. A não evolução aos novos tempos, a não solução de problema como o celibato, a distância do discurso com a realidade atual, a faz abraçar uma causa que é de todos, deformando-a com o cunho ideológico esquerdista.

Não é só o Brasil a bola da vez dessa nova catequese. Qualquer país do mundo vira alvo caso o seu comando esteja em mãos conservadoras.

Teorias socialistas e preceitos de liberação total, já está provado, não deram certo. Resta o apelo meio ambiente como prato do dia, tábua de salvação.

Claro! Somos unânimes em apoiar o tema. O que eles buscam é apoderar-se do que estará presente nas consciências das novas gerações.

Que exemplos, ao longo de suas histórias, têm outros países a nos dar? É muito fácil países que saquearam o mundo, agora comportarem-se como tutores de outras nações.

Determinada organização que ao longo de mais de 70 anos sempre fechou os olhos aos clamores da natureza agredida, aceita e propaga a internacionalização de nossas riquezas.

Ao nosso lado temos vizinhos que, de forma desmedida, agridem a natureza e os seres humanos. Para eles, a venda nos olhos, para nós, o Brasil, o foco das discussões ambientais mundiais.

Essa bandeira é nossa e não dos oportunistas ideológicos do momento. Não é de hoje que a cor que me representa é o verde, oliva.

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Empresário e diretor da CNI.

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