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Roberto Cavalcanti: Ver para crer

Roberto Cavalcanti. Publicado em 14 de novembro de 2019 às 15:49

Ao longo dos meus 73 anos e meio, acumulei muitas experiências e lições de vida. Sempre atento, ouvia dizer que para assistir boi voar não precisava, necessariamente, voltar aos tempos pernambucanos do Conde João Maurício de Nassau, que, em 28 de fevereiro de 1644, ao inaugurar a “Ponte do Recife”, cumpriu sua promessa.

Diziam-me que na política e no futebol era fato absolutamente normal. De fato, na última semana assisti a um boi voar.

Amante do contraditório, que muito me enriquece, tentei entender a estratégia de um condenado que, por razões que a mim não compete contestar, agiu de forma surpreendente ao ter sua prisão relaxada por alguns dias.

Sem dúvida, uma estratégia pensada ao longo dos 580 dias cuja soltura sempre foi construída e aguardada. Declarações ao calor de uma prisão podem ser fruto do momento, já por ocasião de uma liberdade provisória, houve tempo para pensar detidamente.

Considero a democracia o único modelo com o qual podemos conviver em uma sociedade de forma harmônica e justa.

Tenho plena certeza que o fortalecimento de uma nação democrática dar-se com a consolidação e respeito absoluto a suas instituições.

Como cidadão brasileiro, tenho absoluto respeito às instituições e sempre tive da parte delas a construção e o fortalecimento do país no qual nasci e que tenho optado em viver, amar e empreender.

Refiro-me especificamente ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal, à Receita Federal e à Justiça Federal, todos de forma uníssona, pilastras mestras da nossa democracia.

Como entender que um condenado em primeira instância por um juiz federal; em segunda instância por um colegiado de desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4); e, por fim, pelos ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, que em determinado momento está sendo o beneficiário direto de uma liberdade provisória, sai da prisão vociferando contra tais instituições? Eu, pobre mortal, pagador de impostos e cumpridor das leis, teria sido enquadrado em ação penal de incitação à ordem pública instantaneamente.

Como posso entender que um cidadão já condenado em uma das ações a que responde e que apenas aguarda ser concluída, transitada e julgada, em um país dos mil recursos, tem o atrevimento de, conscientemente, declarar que as quatro instituições citadas têm uma banda podre? Como é que pode? Como ficamos eu e os meus ao assistirmos um condenado que ainda responde a vários outros processos em andamento ter a ousadia e a impunidade ao descredenciar a nossa democracia e as nossas instituições?

Estratégia suicida nunca! Pensada e repensada. Parte de um projeto que tem como objetivo levar o nosso Brasil a uma convulsão social em moda na América Latina e única forma de obter uma futura anistia.

Acabo de receber de uma amiga mensagem que diz: “Como é revigorante voltar a sentir o clima de democracia”.

Lamento discordar. Trata-se de alguém pela qual tenho a mais alta estima, porém, penso exatamente o contrário.

Não posso aceitar um ataque generalizado àquelas instituições. Culpa tem, sim, parte da política nacional, que assiste a tudo e não age constitucionalmente. Culpa tem a lentidão processual brasileira.

Os bandidos beneficiados por essa medida, que os põem em liberdade provisória, o foram em razão do preciosismo constitucional da necessidade de terem seus processos transitados e julgados.

Como assistir a um presidiário questionar o cumprimento do final do rito processual, que, mesmo após 580 dias, não avança para permitir a sua conclusão?

Por que essa mesma Justiça não concluiu de forma célere mais de 4.895 processos cujos réus foram ora beneficiados?

É chegada a hora de cobrarmos respeito a nós cidadãos, vítimas de uma bandidagem que se apega às chicanas processuais para viverem livres. Fim da impunidade!

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Empresário e diretor da CNI.

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