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Roberto Cavalcanti: Velocidade

Roberto Cavalcanti. Publicado em 3 de dezembro de 2019 às 21:10

Abro os olhos e me deparo com o fim de 2019. Hoje, estamos a exatos 30 dias do final do ano. Para mim, a velocidade tem sido inversa à da minha expectativa de vida. O tempo passa e meu horizonte encurta rapidamente.

Pensava, à moda antiga, que, quanto mais velho, o tempo passaria cada dia mais devagar. Foi assim que escutei junto aos meus antepassados ao contarem sobre a velocidade da vida.

Minha mãe, exceção, sempre alertava com o testemunho da sua história com a seguinte frase: “Dormi e acordei velha. Tudo muito de repente.”

Não tenho dúvida que parte desse novo roteiro de vida é conscientemente intencional. Temos visto através de vários exemplos que a longevidade está atrelada ao vigor físico e mental. Esse binômio ocorre se, cotidianamente, pudermos exercitá-lo. Muito trabalho é o melhor estimulante.

Uma outra parte desse estilo de vida credito ao mundo tecnológico. Sou exatamente da geração contemporânea de todo o avanço na tecnologia da informática e da interação em rede. Devido às necessidades estratégicas da Guerra, o exército norte-americano desenvolveu o computador e integrador numérico eletrônico em 1945, chamado ENIAC. Apenas em 1950, essa tecnologia chegaria ao mercado.

Roberto, nascido em 1946, era apenas uma criança recém-nascida. 1951 pode ser o ano em que o mercado recebia o primeiro computador, o hoje rudimentar UNIVAC I. A IBM lançava, à época, o seu computador próprio, chamado IBM 701.

De lá para cá, a evolução foi inimaginável. Poderíamos agrupar por gerações esses equipamentos, sendo a primeira os rudimentares, entre 1950 e 1958; a segunda, entre 1958 e 1965, considerados mais rápidos e possuindo 20 MB de memória; a terceira, de 1965 a 1975, já com várias linguagens e programações; a quarta, após 1975, muito mais ágeis e com vasta amplitude de aplicações.

Assisti à UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) construir ao final da década de 1960 um grande prédio para abrigar o seu computador da época. Aquele gigante hoje é batido tecnologicamente em sua capacidade e velocidade por meu IPhone de bolso.

Onde vamos chegar? Fala-se do desenvolvimento dessa tecnologia até os dias de hoje com avanços inimagináveis, aliada aos ganhos proporcionados pela internet.

Os supercomputadores têm capacidade e velocidade gigantescas, porém, a velocidade tecnológica que tanto mexe com o nosso cotidiano nos traz surpresas inacreditáveis.

Recentemente, o “Financial Times” trouxe matéria que realmente me impactou: “Equipamento faz em minutos cálculo que processador clássico levaria dez mil anos”. Estamos falando de uma nova geração de computadores que têm como base tecnologias quânticas.

Diferentemente dos bits em computadores digitais tradicionais, que representam 1 ou 0, os bits quânticos (conhecidos como qubits) podem ser ambos ao mesmo tempo. Tudo combinado a outro fenômeno quântico, conhecido como “entrelaçamento”, por meio do qual os qubits podem influenciar outros qubits com os quais nem estão conectados. Isso permite vislumbrar um caminho para sistemas capazes de resolver problemas imensamente mais complexos. Essa nova tecnologia provocou uma corrida mundial, desde 2010, quando o físico teórico John Preskill criava o termo “supremacia quântica”.

Hoje, em verdadeira batalha, estão à frente o Google e a IBM, tendo a primeira a dianteira. A demonstração da supremacia quântica pelo Google foi baseada em teste técnico básico. Criou-se um sistema capaz de provar que os números produzidos por um gerador de números aleatórios eram realmente aleatórios. O chip quântico, que foi apelidado de SYCAMORE, resolveu o cálculo em três minutos e 20 segundos.

Os pesquisadores estimam que hoje o supercomputador mais potente do mundo levaria 10 mil anos para chegar ao mesmo resultado. Foi demonstrado que, “uma vez que você tenha um computador quântico, o céu é o limite”.

Estamos assistindo a um avanço científico revolucionário, que representa o alvorecer de uma segunda era da computação. O “MARCO”, como foi chamado pelos pesquisadores do Google, prenuncia o advento de um paradigma na computação há muito desejado. Sem dúvida, um salto gigantesco à frente dos atuais supercomputadores.

Para mim, beneficiário ou vítima desses inimagináveis avanços, que mexem com minha velocidade de vida, só resta uma solução. Tudo é tão rápido que a partir deste ano não vou mais desmontar a minha árvore de Natal!

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Empresário e diretor da CNI.

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