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Roberto Cavalcanti: Um novo momento

Roberto Cavalcanti. Publicado em 6 de dezembro de 2019 às 15:52

Não paro de adaptar-me às novas mudanças. Tenho constantemente escrito sobre o que se passou em minha geração e o que a cada dia surge no meu horizonte de vida.

Que tal falarmos sobre uma novidade que elimina instituição financeira e promete reduzir custo?

Hoje, quando tenho uma notícia como essa passo a considerar factível. Tenho como procedimento pessoal não desconsiderar nenhuma informação. Algo que nunca imaginei acontecer ou já materializou-se ou está em processo de se tornar fato real.

Já ouviram falar sobre a entidade financeira chamada SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas)? Essa figura financeira foi criada pelo Banco Central (BC), em abril do ano passado, para conectar o investidor à pessoa física tomadora de recursos no País.

Essa nova modalidade gera operações de empréstimos entre pessoas. É chamada de “peer-to-peer”, ou P2P, que conecta investidores em busca de diversificação na carteira a empresários ou pessoas que precisam de recursos para tocar seus projetos.

Várias empresas estão aptas em nosso país a fazerem operações financeiras nesse novo modelo. O que tem de novo e de grande potencial de desenvolvimento? Algo que buscamos a cada dia, visando permitir a materialização dos negócios: redução de custos. As operações são extremamente rápidas, aproximadamente quatro dias.

Ganhos de eficiência em custos e de velocidade operacional estão atraindo o mercado para esse novo modelo. O prazo médio das operações é de 20 meses e o tíquete médio, de R$ 80 mil.

A fintech “Mova” foi a primeira a obter sinal verde do BC para atuar no modelo “peer-to-peer” e tem como objetivo liberar recursos em apenas três dias.

A fintech fará operações de R$ 5 mil a R$ 5 milhões, podendo ter garantias imóveis, automóveis, máquinas, entre outros. Suas taxas de juros têm start de 0,90% ao mês para clientes de rating “A”.

Por questões de normas as SEPs têm obrigação de repassar em cinco dias os recursos do investidor ao tomador. Com tecnologia para análise de risco, estrutura enxuta e menos exigências regulatórias conseguem reduzir seus custos e as taxas praticadas aos clientes.

Suas projeções são de alcançar R$ 10 bilhões de carteira em cinco anos. Essa intermediação apenas para pessoas físicas tem como base a filosofia – “criar uma comunidade virtuosa para pessoas com pouco de reserva ajudarem quem está com falta”.

A legislação da SEP foi lançada no mesmo momento em que a da Sociedade de Crédito Direto (SCD), empresa que atua com empréstimo, porém, com recursos próprios. Tudo muito novo para mim e para um sistema bancário gigante, porém, convencional.

Se buscarmos a história do sistema financeiro verificaremos que sua origem é a Fenícia. No início, o hábito de emprestar, tomar emprestado e guardar dinheiro de outros era inaceitável.

Na Europa teríamos a criação da denominação ‘banco’ no final da Idade Média. A renascença fiorentina teve entre os financiadores a Casa dos Médici, banqueiros àquela época.

Cabia aos banqueiros nas feiras da Europa Central pesarem o ouro que comerciantes traziam para trocar por outros produtos.

Eram eles que faziam a avaliação de autenticidade e quantidade de metais, em troca de uma comissão. Evoluíram para guardarem o ouro e em troca emitiam um certificado pelo qual cobravam.

Após perceberem que nem sempre as pessoas retiravam tudo que haviam depositado, ou seja, sempre haveria dinheiro para circular, surgiu a ideia de conceder empréstimos mediante o pagamento de juros. Deixavam de ser cambistas para se tornarem banqueiros a partir do século XV.

Minha cabeça ferve com tantas mudanças e conjecturas. Para onde irá o sistema bancário convencional?

A cada dia uma novidade, um novo momento: fintechs; SEP; peer-to-peer; SCD; criptomoedas; QR code; Nubank. E mais: Google, Facebook e Apple cobiçando o novo mundo financeiro.

Haja avanços aos quais tenho que me adaptar e constatar que tudo na vida é cíclico. Voltaremos ao ouro?

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Empresário e diretor da CNI.

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