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Roberto Cavalcanti: Tecnologia

Roberto Cavalcanti. Publicado em 10 de fevereiro de 2020 às 18:38

Sempre estive conectado a este tema. Empresário defasado tecnologicamente assina confissão de obsoleto. Sua sobrevivência não está apenas ameaçada, é uma autodeclaração de morte, é apenas uma questão de tempo.

Há exatos 50 anos, 1970, parti para empreender no setor secundário, a indústria. No segmento que abracei, o mundo dos termoplásticos, fui um dos pioneiros na Paraíba.

Àquela época, fora do eixo liderado por São Paulo, poucos eram os empreendimentos tecnologicamente avançados. Inexistia o Polo Petroquímico de Camaçari – Bahia, e as dificuldades no Nordeste eram totais, incluindo o suprimento do principal insumo, as resinas plásticas.

Com visão de futuro, garra e persistência, nos transformamos em formadores da cultura industrial nesse segmento na nossa região. Fomos referência na formação de mão de obra especializada e, principalmente, no avanço tecnológico que o setor passava naquele momento.

Perguntam-me qual a razão maior daquele avanço diferenciado na nossa Paraíba. Respondo: visão tecnológica. Buscamos sempre abastecermo-nos com o que havia disponível de melhor a época. Todos os anos, era obrigatório viajar acompanhados de nossos técnicos à Feira Mundial de Plástico e Borracha, em Düsseldorf.

A nossa presença de forma sistemática nas famosas “Feira K” (Kunststoff) assegurava conviver e partilhar os avanços tecnológicos do setor no qual os alemães eram a época referência mundial. Na produção de resinas sintéticas, fabricação de máquinas de produção, equipamentos periféricos, moldes, eram líderes no mundo.

Saio do retrovisor e das imagens cinquentenárias e olho para a frente em um amplo para-brisa. A velocidade dos avanços tecnológicos nos dias de hoje são imensuráveis.

Uma década equivale a mais de um século no passado. Os avanços se propagam em áreas cujo domínio atual são significativos: biotecnologia, ciência da computação, inteligência artificial, medicina, robótica, 5G e várias outras áreas das novas tecnologias têm provocado hoje referências que proporcionarão um novo ranking de países ao redor do mundo.

O que era a China há 50 anos e o que é hoje a nível global? A inovação tecnológica não ocorre de uma hora para outra. Leva décadas para, na prática, materializar-se.

O mundo de hoje está dividido em três grandes blocos econômicos/tecnológicos. Estados Unidos, Europa e Ásia (leia-se China), que buscam a hegemonia nos avanços tecnológicos.

Não se pode precisar o que vai ocorrer e quando, porém, temos indícios em razão do que já está ocorrendo.

De volta à minha Alemanha do passado, faço a seguinte constatação: em setembro de 1997, apenas 23 anos atrás, a “Apple”, fabricante de computadores, estava avaliada em US$ 3 bilhões – menos de 10% do valor do conglomerado alemão “Siemens”, maior grupo industrial europeu, tanto a época quanto hoje.

Em menos de duas décadas e meia, o valor de mercado da “Apple” não apenas supera o da “Siemens” – ao alcançar US$ 1,42 trilhão, valendo hoje mais que todas as 30 maiores empresas da Alemanha, incluindo a própria “Siemens”.

O fato é que as 30 maiores empresas da Alemanha foram ultrapassadas por uma única gigante americana do ramo da tecnologia. Maior país da Europa, quarta economia do mundo, a Alemanha corre o risco de ficar para trás engolida pelo surto de crescimento tecnológico do século XXI.

Pode-se constatar que no campo industrial as novas tecnologias e os conceitos produtivos dos tempos atuais estão direcionando para a China o suprimento dos novos parques industriais.

Hoje a Alemanha ainda se impõe como um país exportador, tendo a China como seu maior cliente. A pergunta que fica é: Até quando?

Patentes e inovações decidirão nossos futuros. Nosso Brasil não pode permitir um distanciamento do restante do mundo nesses campos.

É tempo do Brasil acordar e, ao vivo, acompanhar o ritmo dos avanços tecnológicos mundiais. Se a Alemanha hoje se preocupa, o que será do Brasil se não pautarmos esse tema? No mundo tecnológico não há mais espaço para milagres econômicos.

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Empresário e diretor da CNI.

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