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Roberto Cavalcanti: Sob suspeita

Roberto Cavalcanti. Publicado em 31 de outubro de 2019 às 20:12

Caminhava pela praia de Intermares, no início de setembro, quando fui advertido a evitar pisar em várias ocorrências de pequenas placas que, popularmente, chamamos de piche. O errado costume que tenho de caminhar olhando para baixo, neste caso, foi positivo. Cheguei em casa safo, de pés limpos.

Dia seguinte, recebo telefonema de pessoa amiga relatando que tinha hospedado familiares de Recife em seu apartamento e que todos tinham sido vítimas dos tais piches.

Como sempre, era uma convocação para pautarmos o tema no Correio da Paraíba. A notícia, à época, foi registrada por vários meios de comunicação do nosso estado.

Pensei como moleque de praia há mais de 70 anos que aquilo seria um fato eventual como os que convivi na minha infância na praia de Boa Viagem dos velhos tempos. Nada disso! Aquela ocorrência teve dimensões nunca vistas.
Mais de mil quilômetros de praias de todo o Nordeste foram contaminados. Obrigatoriamente chegamos à evidência técnica que aquele petróleo bruto foi lançado ao mar a muitas milhas de distância, fora, portanto, de nossas águas territoriais, em águas internacionais.

Pelo volume chegado às praias, obrigatoriamente, foi consequência de um grande derramamento originário de algum navio que, por alguma ação até agora não explicada, não comunicou às autoridades competentes o ocorrido.

Isso nos leva a constatar que tal derramamento, sendo omitido, inviabilizou qualquer providência a ser tomada para minimizar tão gigantesco dano.

O Brasil foi tomado de total surpresa em função dessa omissão.

Ressalto que, além de fazer parte da ética náutica, comunicar acidentes de tal monta é obrigatório. A ação criminosa, intencional ou não, está até agora registrada como a maior da nossa história.

Como nós, brasileiros, somos vítimas, nada tendo a ver com a geração do dano e sim das consequências do mesmo, assisto uma imprensa nacional e internacional muda quanto à apuração das responsabilidades.

Por todo o mundo, em ocorrências dessa magnitude são feitas campanhas para a identificação das causas e as punições que tamanho dano ocasiona.

Em naufrágios de navios, nos acidentes em plataformas oceânicas de petróleo, a grita é mundial e está historicamente registrada ao longo de muitos anos.

Nesse nosso Brasil de hoje contaminado com uma fratricida guerra ideológica, assisto a alguns tentando imputar parte da culpa ao próprio Brasil.

O suposto analfabetismo e a ignorância são incompatíveis com a inteligência dos que, de forma desvirtuada, desviam o foco da origem do fato. Quem lançou no Oceano Atlântico aquele petróleo e nas dimensões que hoje está constatado. Assisto ainda hoje aos clamores nacionais e internacionais para que identifiquemos quem matou quem?

Não tenho assistido ao mesmo clamor, muito menos na mesma intensidade, para que identifiquemos quem praticou este crime ambiental, com consequências ainda não dimensionadas no tocante à fauna, à flora e a todos os recursos naturais, ferindo-os de mortes com tão gigantesca lama asfáltica.

Quero saber quem foi. Como e por que provocou o tamanho desastre? Qual a razão da total omissão de aviso, caso tenha sido acidental?

Medo das punições internacionais quanto a eventuais multas? Ou propósito que suas consequências fossem efetivamente imensuráveis? Mais uma vez não vejo obstinação internacional quanto à apuração dos responsáveis.

O corpo de prova está aí disponível em qualquer ponto de nossa costa. Tecnologia existe para apurar de forma inquestionável o DNA de sua origem. O que nos falta?

Tivemos o nosso Atlântico Sul atacado, de forma intencional ou não. Onde estão as organizações internacionais para nos darem as mãos nessa hora? Onde estão os oportunistas ambientais ideológicos que, nesse caso, permanecem em silêncio?

Impossível culpar o Brasil, nós brasileiros e nosso governo por um ataque cometido contra nosso meio ambiente. Onde estão os ambientalistas mundiais pró-Amazônia?

Vou defender o nosso Brasil até que identifiquemos quem foi. Proponho uma premiação substancial, uma paga, para quem delatar o ocorrido. Testemunhas do fato necessariamente são muitas.

Vamos agora checar as provas e desvendar esse mistério. Quem atacou o Brasil?

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Empresário e diretor da CNI.

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