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Roberto Cavalcanti: Ouvir a voz das ruas

Roberto Cavalcanti. Publicado em 9 de dezembro de 2019 às 21:47

Resgato essa frase originária de um diálogo entre o segundo homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann, e Scott Cook, conselheiro da multinacional Procter & Gamble (P&G). “Coloque as pessoas na rua e na volta pergunte para elas o que foi inesperado? O que foi surpreendente? E deixe-as falar. Nessas surpresas estão as oportunidades que os clientes queriam lhe falar, mas como você não ouviu”, disse Cook.

Deu um outro conselho: “Permita que as ideias floresçam e não sejam esmagadas, especialmente as propostas feitas por funcionários mais jovens e de posições inferiores na hierarquia”. “Se as decisões só são feitas pelos chefes, então é sempre o cara que ganha mais (manda) quem decide”. Concluo: o gargalo nas empresas acaba sendo os gerentes, que têm uma tendência a defender seus espaços e influência. Os mais novos já sabem o que fazer. O problema são os gerentes, eles acham que são eles que são os tomadores de decisão.

Lemann ouvia Cook para tentar entender as razões pelas quais o seu império industrial ligado ao setor de alimentos, detentor das marcas mais famosas no mercado norte-americano, mesmo bem administradas, atravessam uma fase difícil (Kraft Heinz, AB Inbev, Burger King).

Assistindo problemas alheios, me apego às teorias econômicas para, muitas vezes, aplicá-las no meu cotidiano pessoal. Pedir conselhos sempre é o meu lema. Me confronto sempre com gestores que têm opinião formada e não aceitam questionamentos as suas ideias.

Recentemente, apliquei o pressuposto supracitado (ouvir a voz das ruas) ao ser consultado sobre uma eventual decisão de investimento de um amigo. Ele tinha opinião formada de que determinado produto seria bem aceito pelo mercado. Investiria em máquinas, moldes, aparelhos auxiliares, pavilhão industrial e outros, visando a produção do planejado produto.

Perguntei se teria feito alguma pesquisa de mercado visando aferir o posicionamento do público-alvo quanto ao desejo de compra daquele produto. Não! Apenas um feelling pessoal dele e de seus gerentes. Dará certo? Um pressuposto tão fácil de constatar quando se busca ouvir a voz das ruas não estava sendo praticado. Na política, sempre sou questionado sobre minha opinião pessoal quanto à viabilidade eleitoral de determinada pessoa. Resisto sempre em opinar, não sou um estrategista político. Por conviver diuturnamente em um sistema de comunicação não posso negar que detenho algumas informações, algumas delas até privilegiadas.

Acompanhei várias eleições em todos os níveis, participando de forma direta ou indireta. Desde o momento que decidi optar em viver na Paraíba, convivi até o dia de hoje com 21 governos estaduais, se for contar com os havidos desde que nasci, esse número passa de 31. Recentemente, questionado mais uma vez a opinar, disse ao interlocutor que reconhecia a sua popularidade, porém, não possuía uma base de informações sólidas de como os eleitores têm em mente no que se refere ao perfil do candidato.

Mais uma vez torna-se indispensável ouvir a voz das ruas. A dinâmica eleitoral, que já era de difícil identificação no passado, nos dias de hoje atinge níveis de velocidade inimagináveis. Qual o produto eleitoral que a mente do eleitor projeta como candidato ideal? Não se pode tratar do tema de forma empírica, na base do “eu acho que”. Recomendei não acreditar em simples especulações positivas quanto as suas potencialidades.

Quais as forças políticas que estão exaltando suas chances de vitória? De onde vem a origem do interesse político em prematuramente lançá-lo candidato? Parti então para a recomendação primária do bem-sucedido Scott Cook – “ouvir a voz das ruas”.

Faça uma pesquisa qualitativa através de empresa idônea e desconectada de políticos pontuais e afira qual o produto político que a população deseja no presente momento.

De posse desse perfil, constate o que o mesmo se encaixa ao seu perfil. A partir daí, una a sua popularidade aos anseios do eleitor e vá à luta. Caso contrário, siga o seu caminho de sucesso e assista aos prejuízos dos que não ouvem a voz das ruas.

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Empresário e diretor da CNI.

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