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Roberto Cavalcanti: Feliz Dualidade

Roberto Cavalcanti. Publicado em 5 de janeiro de 2020 às 20:11

Dualidade é uma palavra que vem do latim dualitāte e que pode ser aplicada para definir uma pessoa que tem dupla natureza ou dois princípios (propriedade daquilo que é duplo).

Se formos para o campo do Dualismo filosófico admitiríamos a coexistência de dois princípios, a exemplo do bem e do mal. Poderíamos partir para resumir a dualidade em tudo, aplicando a premissa de que em todo o bem (positivo) existe algo mal (negativo) e vice-versa.

Teologicamente, o Dualismo tem como base o princípio do bem Divino (luz) confrontando ao princípio Divino do mal (trevas). Dessa forma, Deus é tido como responsável pela criação do bem e o Diabo como mentor do mal. Nada a ver com o princípio do que desejaria expor neste espaço e no título.

Longe de mim, conectá-la ao dúbio, que é um adjetivo que significa duvidoso, incerto, indefinido e que não caberia a mim considerá-lo e vinculá-lo na hipótese de ser feliz. Não bate com o que penso e como penso. A força do “Dual” nela contido poderia transparecer algo que não fosse afirmativo, positivo, duplo, o que não é o caso.

Parto para escrever sobre Feliz Dualidade por me encontrar nessa fantástica realidade.

Sou dois Robertos, sem ser dúbio, muito menos duvidoso, sou afirmativo. O que é um amanhecer bonito para quem está em um alpendre de uma fazenda e o que seria para um veranista na praia de Camboinha?

O nublado observado na barra do dia, quando o Sol nasce, é prenúncio que as chuvas chegaram ao Sertão.

Ao final do ano, ocorrem sempre as trovoadas provocadas por essas mudanças de condições meteorológicas.

Sempre me trouxe imensa felicidade ser despertado com a boa notícia de chuvas nas minhas ribeiras, tomar café da manhã com um olho no prato de ovos mexidos, queijo de coalho assado e pão torrado em fogão a carvão e o outro pela janela observando o nevoeiro se aproximando com o jeitão de que vai chover.

Pergunto aos nativos e experientes quais as previsões. Com total marca de acertos ouço dizerem: Doutor Roberto, é chuva! E vinda do norte, que é chuva boa, molhadeira.

Transporto-me dentro do contexto concreto da dualidade feliz e ponho-me agora à beira-mar de Camboinha. Nas praias, o Sol é o rei. Nublado é dia feio, no Sertão é dia lindo.

Nuvem escura, cujo tratamento jamais ouso chamá-la de nuvem negra, aqui é certeza de frustração na caminhada à beira-mar. Lá no Sertão, é comemoração e impulso ao desafio de fazermos uma pequena caminhada até o curral para ter que voltar à casa grande nas carreiras, com alegria na face, após os primeiros pingos d’água.

Poderiam ser ambas no mesmo dia de virada do ano. A felicidade estaria sem dúvida de forma “Dual”, dependeria de onde Roberto estivesse.

A vida é sempre assim, depende do ângulo, do foco que você está vendo o seu entorno.

Para aprimorar esse meu sentimento, tenho agora monitoramento digital dia a dia do rendimento das placas coletoras solares do sistema de geração distribuída que instalei domesticamente. Basta nublar, não necessariamente chover, para ter o seu rendimento reduzido em até 50%. Aquele

Roberto, menino de praia, torcendo pelo Sol, teria agora fortes motivos econômicos para tal.

Vejam bem! A mesma pessoa ora feliz com o tempo nublado, ora feliz com o tempo ensolarado. Assim é a vida. A relatividade das coisas está aí para provar que tudo é uma questão que pode variar individualmente, de acordo com vários fatores, da condicionalidade, da contingência das coisas.

Tento ser feliz ao meu modo. Cabeça boa é tudo. Ser feliz sempre, independentemente de quem é você Roberto, do campo ou da praia.

Sou feliz mesmo em um dia nublado e sem chuvas, tanto nas praias como no campo. Assim é a boa dualidade.

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Empresário e diretor da CNI.

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