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Roberto Cavalcanti: Entre a alegria e o medo

Roberto Cavalcanti. Publicado em 24 de outubro de 2019 às 16:45

Recentemente tive acesso à informação de que a Paraíba oferecia ao mundo um exemplo agrícola. Deveria, então, estar apenas alegre. Detentor de tecnologias no Projeto Algodão Paraíba, o Estado recebia missão técnica da Colômbia, Mali e Moçambique que aqui veio para assimilar nossos conhecimentos.

Técnicos foram recebidos por órgãos vinculados à Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (SEDAP): a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (EMPAER) e a Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER).

A missão composta de trinta técnicos desses países faz parte do Projeto Cooperação Sul-Sul Trilateral, executado pelo Governo Brasileiro, representado pela ABC/Ministério das Relações Exteriores, pela FAO (a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e países do Mercosul.

A programação teve uma vasta pauta de visitas técnicas a nossos campos de algodão. Nada mais lógico do que me sentir, como cidadão paraibano adotivo, muito envaidecido com esse nosso avanço atual em uma cultura que tempos atrás fazia parte da base de nossa economia. Fatores diversos baquearam a cultura do algodão na Paraíba, dentre eles, a praga do bicudo.

Sou cauteloso economicamente e pessoalmente, razão pela qual decidi hoje abordar esse tema.

Acompanhei nos últimos anos o nosso avanço e o soerguimento da cultura do Algodão Paraíba. Fantástica e inovadora ideia que resultou na nossa liderança e reconhecimento internacional com o desenvolvimento de um novo produto.

O algodão colorido é sem dúvida uma janela econômica voltada para o nascente em um mundo preocupado com o meio ambiente. Não há dúvida de que o seu potencial é gigantesco.

Já imaginou no mundo de hoje oferecer uma fibra de algodão na qual sua coloração é natural; desnecessário o tingimento? Por que cautela?

Nossa história mostra que foi exatamente assim que, anos atrás, fornecemos ao mundo nossas sementes para que lá fora desenvolvessem concorrentes gigantes no cultivo de seringueiras.

O Brasil ficou para trás, a história, porém, está guardada em minha mente. Um lindo discurso ao partilharmos nossas tecnologias.

Dolorosa será a dor ao vermos, no futuro, concorrentes gerados através destes compartilhamentos tecnológicos unilaterais.

É como entregar o ouro ao bandido. No caso, o ouro colorido.

Ainda no campo do medo, sou impactado com outra notícia: “Fungo fatal que ameaça produção de banana chega à América Latina”.

O Instituto de Agricultura e Pesca da Colômbia (ICA) confirmou a chegada naquele país da Panamá TR4 – a raça 4 tropical do fungo causador do mal-do-Panamá, doença do solo que devastou plantações no sudeste asiático nas últimas três décadas.

A Colômbia declarou “emergência nacional” por causa da doença e adotou medidas preventivas em todo o país. As plantações da América Latina são fonte de dois terços do comércio mundial de banana. A chegada desse fungo à América do Sul é um problema muito grave.

O fungo não afeta os seres humanos, mas as plantas contaminadas deixam de produzir frutos. Já destruiu plantações na Ásia, na África e no Oriente Médio.

Atualmente, não existe tratamento eficaz contra o mal-do-Panamá a partir do momento em que o fungo contamina uma bananeira. Um novo bicudo, desta vez, em nossas bananeiras.

Entre seringueiras, algodoeiros e bananeiras, ficam minhas alegrias e temores. Sou ciumento por todas elas, principalmente por fazerem parte da tradição agrícola brasileira.

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Empresário e diretor da CNI.

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