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Roberto Cavalcanti: Dependência tecnológica

Roberto Cavalcanti. Publicado em 13 de dezembro de 2019 às 10:46

Estava na China comprando em um supermercado amostras de produtos. Nada de significativo valor, porém, estratégico para sondar o mercado nacional. Faço isso há mais de 50 anos e sempre tenho um ótimo custo benefício, mesmo levando em conta o transtorno de, ao desembarcar no Brasil, despertar a curiosidade da alfândega. 

Ao chegar ao check out, pensava estar preparado para fazer o pagamento, levava na carteira cinco cartões de crédito internacionais, alguns dólares e moeda chinesa, o yuan (cny), em valores suficientes para efetuar o pagamento. 

Na China, país com mais de 1,5 bilhão de habitantes, nada pode parar por um mínimo instante, ainda mais em uma fila de supermercado. Assisti ao cliente à minha frente fazer seu pagamento de forma curiosa: passou o iPhone por um visor e foi liberado de imediato. 

Chegada a minha vez, apresentei um dos meus cartões de crédito com a data mais apropriada. A jovem que operava o caixa falou algo que não tive a menor ideia do que se tratava. Não sei chinês e, além de tudo, ainda tenho perda auditiva acentuada. 

Reagi com todo o cuidado e pus no balcão os valores em yuan necessários. Nada!

A fila se avolumava e eu não conseguia superar o impasse para o qual não estava preparado. Fui socorrido pelo intérprete, um chinês que me acompanhava e que efetuou o meu pagamento, utilizando-se do seu celular. Foi assim que fui operacionalmente apresentado à modalidade de pagamento através do QR Code. 

Na China, onde o cartão não era tão utilizado, o QR Code explodiu porque trazia conveniência que não havia antes, oferecida especialmente por empresas de e-commerce. 

 Aqui no Brasil, primeiro foram os chips, depois o pagamento por aproximação ou NFC (Near Field Communications). Agora fala-se que a próxima onda será o QR Code. Pagamentos instantâneos ou a tokenização (geração de um número aleatório para cada operação).  

Novas formas de pagamento eletrônico, sem dúvida, lançarão para o passado a presença do plástico (cartões) e até o dinheiro. 

Todas as empresas operadoras de tecnologias para pagamentos trabalham no desenvolvimento de novas aplicações que permitam ao consumidor comprar de qualquer maneira. Vai valer a regra de que: “Quem vai decidir a melhor forma de pagar é o cliente”. 

Para mim, cada dia fica mais complicado entender e optar por novos meios de pagamento. A utilização das ferramentas digitais cada vez mais é oferecida nas transações comerciais. 

Já me vi tendo que responder em um caixa se vou optar por um pagamento por aproximação ou por tokenização? Já não bastava me perguntarem se tinha minha conta em um banco ou em uma Fintech ou se pagaria em moeda nacional ou em criptomoedas?

Deparo-me com manchetes na mídia informando que os pagamentos digitais na América Latina devem superar os presenciais em três anos. Hoje já representam 28% do volume de compras, tendo as vendas eletrônicas crescido 2,8 vezes mais que as físicas.  

Nossa região aparentemente subdesenvolvida é a área do mundo com maior expansão nos pagamentos eletrônicos. 

O Brasil, para minha surpresa, é o país em que o comércio eletrônico está mais presente. 15% dos que realizam compras on-line fazem pelo menos uma transação a cada três dias. 

Os smartphones já são os principais aparelhos usados pelos brasileiros para fazer compras, respondendo por 53% do total. 

O agigantamento dessas operações tem forçado para que sejam aprimoradas técnicas de segurança antifraudes. 

Novas tecnologias buscam permitir informações instantâneas ao varejista e ao cliente. 

Outra preocupação presente é com o uso desenfreado de dados coletados dos consumidores em suas interações on-line. Faz-se necessário uma atualização constante na regulação do tema. 

Tudo é tecnologia nesse nosso mundo atual. Estamos a um passo da utilização global da inteligência artificial, dos robôs com habilidades sociais e dos computadores quânticos. 

Como vou ficar no instante em que meu celular descarregar?

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Roberto Cavalcanti

Empresário e diretor da CNI.

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