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Roberto Cavalcanti: Correto x incorreto

Roberto Cavalcanti. Publicado em 12 de março de 2020 às 18:57

Ao cruzar uma avenida em “Bangkok” para visitar as edificações dos templos “Wat Phra Keo” questionei a guia turística que nos acompanhava o porquê da cidade tão limpa. A resposta foi instantânea: jogar lixo na rua é incorreto. Lá, o conceito do que é correto e incorreto está na cabeça da população daquela capital estimada em quase 11 milhões de habitantes.

Dias depois estava em “Hanói”, capital do “Vietnã”, percorrendo uma das suas avenidas centrais da sua congestionada malha viária na qual circulam 6,5 milhões de habitantes. Um caudal de motos nos cercava onde quer que estivéssemos a qualquer hora do dia.

Em média, cada família vietnamita possui pelo menos duas motos por residência. Obrigatoriamente, uma para servir o homem e a outra para atender as necessidades das superativas mulheres “viet”. Lá, também, há significativa participação da marca Honda. O diferencial é que todas, sem exceção, se deslocam em velocidade lenta e uniforme.

Mais uma vez, curioso, perguntei qual a razão em ser tão diferente do nosso Brasil. Aqui, a indisciplina é total, toda rua torna-se uma pista de alta velocidade, pilotadas por motociclistas alucinados.

A resposta veio logo em seguida estampada em uma simples sinalização de trânsito. A placa indicava 50 quilômetros de velocidade máxima a ser obedecida no perímetro urbano. Nas estradas, a sinalização indica as faixas para o uso exclusivo de motos.

Comparado ao nosso tráfego, mais parece um espetáculo de balé em câmara lenta, mesmo com algumas delas circulando sobre as calçadas, em ruas de tráfego de pedestres e até mesmo na contramão.

Isso pode! O que não é permitido será sempre a velocidade acima do limite. Nada mais que placas sinalizadoras e a consciência do correto e do incorreto.

Punições, lógico! Não se obtém disciplina em parte alguma do mundo cultuando anos após anos a permissividade, a impunidade.

A singeleza dos exemplos é apenas por didática, o que vale é o conceito do correto e incorreto.

Será que nós brasileiros ainda temos cura?

Questiono-me sobre a aceitação coletiva e da conivência em alguns casos diante do ilícito. Assisto contraventores com a maior cara lisa serem até idolatrados e circularem impunes, livremente.

Por questões sociais não estou me referindo a líderes de facções alojados em favelas. Lá se travestem de Robin Hood dos mais carentes. O que me espanta é nosso País pouco a pouco perder o discernimento e não saber separar o joio do trigo. Se perdermos a capacidade de, como sociedade organizada, julgar a diferença entre o certo e o errado, nosso País jamais terá solução.

Será que não é chegada a hora de mobilizarmos os que ainda enxergam?

Após alguns dias desconectado da nossa cultura e alimentado por outras experiências sofridas, com guerras civis e com inimigos externos milenares, impacta-me assistir o Brasil de hoje ao retornar.

Não existe ao menos uma queda de braço entre o bem e o mal. O que nos falta é a capacidade de reagir, de nos posicionarmos. Acho que é chegada a hora de empunharmos nossa bandeira e com ela hasteada aglutinarmos os do bem.

O exemplo comportamental que nos cercava, surpreendentemente, era da pior espécie. Fomos por anos iludidos por falsas bandeiras. Dogmas internacionalmente cultuados nos foram impingidos como único caminho. E o que é pior, como pré-destino.

Tive confrontos com essa pregação desde os meus tempos de ginasial. Certo professor de História do Brasil, matéria que sempre amei, lá atrás, nos meus tempos de adolescência, pregava o confronto ideológico. Talvez pernambucanamente ainda influenciado pela Intentona Comunista de 1935.

Como sempre em toda luta perdemos os dois no nosso confronto pessoal. Ficou comigo inoculada a semente da não aceitação. Luto, sempre, aprendendo com o contraditório, porém, defendendo o “Como Penso”.

Tenho muita fé e esperança em nosso País, creio que é tempo de reação.

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Empresário e diretor da CNI.

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