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Roberto Cavalcanti: Concentração

Roberto Cavalcanti. Publicado em 22 de janeiro de 2020 às 10:21

Costumo divagar mentalmente sobre o significado das palavras. Gosto de ilustrar-me, muitas vezes, com coisas simples como a pesquisa em bons dicionários. Assim fiz ao escolher nomes de todos os meus barcos, sempre busquei nomes com múltiplos sentidos. Uma palavra, muitas vezes, tem o significado que sua mente lhe induz. 

Para um atleta, “concentração” é aquele período no qual ele se prepara, junto aos demais membros de sua equipe, para uma partida que vai acontecer. Para um literato, “concentração” poderia ser o momento no qual seu foco está direcionado a redigir um texto qualquer, com ou sem inspiração. Para os amantes dos carnavais, seria o ponto de encontro, “concentração”, de onde o seu bloco sairá para desfilar nas avenidas. 

Para um atirador de precisão, um sniper,“concentração” seria o pré-momento ao disparo de sua arma visando um alvo estático ou dinâmico. Para um judeu que jamais esquecerá e perdoará as atrocidades nazistas, “concentração” seria um campo onde os mesmos aprisionados aguardavam o corredor da morte. 

“Concentração” para um químico/farmacêutico, sem dúvida, soará como a dosagem de um determinado elemento em uma fórmula. Em uma operação militar, “concentração” seria estrategicamente uma manobra de agrupamentos de tropas. “Concentração” para um ambientalista seria o grau ou quantidade de ozônio no ar encontrado em determinada região física de uma cidade, indicando graus de poluição diversos. 

“Concentração” mental em um enxadrista é fundamental nas previsões das suas jogadas. “Concentração” de poderes, atribuições que determinado gestor tem ou delega a outrem nas responsabilidades de execução e atribuições de tarefas. 

Sintonizado todo o tempo naquilo que é o meu foco profissional, não poderia pensar de forma diferente que não nos graves prejuízos para a economia e para os cidadãos que no caso é a “concentração” de riquezas. 

Nesse campo, a abrangência é infinita, partindo desde a “concentração” de riquezas naturais; os consequentes frutos de equivocadas políticas econômicas. 

Páginas seriam por mim escritas pela abrangência dos múltiplos significados deste substantivo feminino.  

Em um amanhecer de pouca inspiração, buscava um tema para abordar nesse espaço. Parti então para comentar matéria que tinha lido há poucos dias sobre o perfil do crescimento comparativo entre as receitas dos Estados brasileiros, em comparação ao obtido pelas suas respectivas Capitais. 

Estava ali constatado o fenômeno que hoje é perceptivo a olhos vistos. A “concentração” urbana e a disparidade provocada por esses resultados. 

Analisando-se apenas o período entre janeiro a outubro de 2017 para iguais meses de 2019, teremos um crescimento de receitas das Capitais em nível nacional de 20,8% em termos reais, contra 10,6% obtidos pelos Estados. 

Em 22 das 26 Capitais, o crescimento da arrecadação foi maior do que o do governo do respectivo Estado. A análise atribui entre outros fatores o padrão da gestão fiscal das prefeituras de cidades médias e grandes, muito mais eficientes do que as de governos estaduais.

Os números mostram que, mesmo com uma economia que não cresce e com a crise política, com a arrecadação tributária obtida por prefeitos de diferentes regiões, partidos e tamanho de cidades, eles investiram na melhoria das suas arrecadações. 

Para ilustrar o texto, seleciono alguns exemplos. Paraíba 6,41% x João Pessoa 18,13%; Pernambuco 13,26% x Recife 16,15%; Rio Grande do Norte 5,59% x Natal 37,71%; Alagoas 12,17% x Maceió 26,58%; São Paulo 12,68% x SP Capital 23%; Santa Catarina 17,85% x Florianópolis 19,37%; Minas Gerais 9,38% x Belo Horizonte 15,38%. 

A constatação numérica é incontestável e evidencia um fenômeno que convivemos diariamente, a “concentração” populacional e econômica cada vez maior nas capitais. 

Qualquer levantamento, tais como atividade comercial, construção civil, movimentação financeira, mostrará esse excesso de “concentração”. 

Sofro no dia a dia nas filas de espera e nos congestionamentos do trânsito e suas nefastas consequências. Alerto sobre o fato de que se não corrigido, tais concentrações causarão danos ainda maiores.

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Empresário e diretor da CNI.

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