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Roberto Cavalcanti: Cidade encantada

Roberto Cavalcanti. Publicado em 18 de novembro de 2019 às 18:05

Nunca imaginei ser possível sair do sonho e entrar para a realidade em plena luz do dia. Sol a pino, lá estava eu para conhecer, ‘in loco’, uma verdade que jamais poderia imaginar ser real.

Vivo na e pela Paraíba desde 1969, quando aqui cheguei com meus sonhos a realizar, há exatos 50 anos. Convivo cotidianamente com os 223 municípios deste estado, que adotei e luto pelo seu desenvolvimento.

Acompanho suas angústias. Não é nada fácil. Dificuldades de toda ordem impedem que municípios tenham autossustentação financeira.

A fragmentação municipal paraibana foi fruto de uma estratégia que visava beneficiar-se da partilha de fundos federais e assegurar um mínimo de arrecadação.

No DNA deles, porém, está o registro histórico das suas origens, o desmembramento de outros municípios também inviáveis.

O perfil populacional traz a marca do pequeno. Apenas 34 municípios têm população acima de 20 mil habitantes, 189 estão abaixo deste número de moradores.

Nesse universo, eis que surge um bairro inteiramente novo, incrustado em um município em que tudo é grande.

Campina Grande abre as portas de uma fantástica cidade, o Conjunto Habitacional Aluízio Campos. Aquilo que formalmente é apenas um novo bairro, na verdade, é um exemplo para toda a Paraíba, para o Brasil e para o mundo.

Para constatar sua grandeza, a conta é simples, matemática. Foram entregues as chaves de 4.100 unidades habitacionais (3.012 casas e 1.088 apartamentos).

No Nordeste do Brasil, pode-se estimar em cinco habitantes por residência, o que daria mais de 20 mil habitantes. Isto posiciona este novo bairro na 35ª posição no ranking populacional dos municípios paraibanos, acima de Remígio, com seus 19.621 habitantes – refiro-me ao número de habitantes em todo o município. No caso específico, apenas um bairro/cidade de Campina Grande.

Tamanho não é tudo no Conjunto Habitacional Aluízio Campos. Uma cidade/bairro totalmente planejada. Avenidas e ruas impecavelmente construídas; casas implementadas dentro de um primoroso projeto de padrão arquitetônico e de engenharia; aplicação de materiais de primeira qualidade; todas com coletores solares no teto, permitindo economia e modernidade no trato da água aquecida. Um bairro que já nasce cidade.

Com uma infraestrutura completa de tudo: quadras poliesportivas, ginásios, escolas, creches, academias, salões de eventos, centro de referência social, postos de saúde, templos religiosos, comércio, indústrias, algo inimaginável.

Parto agora para o mundo dos sonhos, da fantasia, que se tornou realidade. Termos, em pleno interior do Nordeste, um bairro/cidade com todas as suas casas eletrificadas, servidas por água encanada e rede de esgoto.

Acredito que pouquíssimas cidades no mundo, incluindo o primeiro, tem um privilégio e um atestado como esse de 100% perfeita.

Assistia de longe a sua construção ao longo de mais de quatro anos. Nunca tinha estado lá.

Escrevo hoje por não poder omitir e desejar deixar registrado na história que um sonho pode ser realizado. Que nem tudo está perdido nesse Brasil de instrumentalizado pessimismo.

Projeto materializado graças às forças do bem, à seriedade de propósitos, à obstinação de gestores, à interação política, à capacidade de visão, à garra e à força da mão de obra nordestina, à competência técnica, à perseverança dos que sonharam, ao campinismo em pensar grande, à muita fé e, sem dúvida, a Mão Divina.

Assisti a um Prefeito chorando de emoção e de alegria pela certeza do dever cumprido, lideranças políticas heterogêneas de mãos dadas, ministros exultantes com a missão realizada, financiadores alegres com a materialização e ritos finais de um processo de crédito ímpar.

Por fim, um Presidente da República comemorando o lado positivo de um Brasil em que muitos de nós acreditamos.

Resgatei em todos uma marca comum, fé em Deus. Parabéns Campina, parabéns Brasil.

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Empresário e diretor da CNI.

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