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Réquiem ao JPB1 CG

Jurani Clementino. Publicado em 2 de julho de 2019 às 11:43

Comecei minha carreira jornalística no grupo Paraíba de Comunicação. Sou muito grato por tudo que aprendi ali. Meu primeiro estágio e meu primeiro registro em carteira aconteceram exatamente na televisão Paraíba Ltda. Entrei em 2004, como estagiário e, dois anos depois, concluída a graduação tive o contrato rescindido e, por hora, não tinha mais o que fazer. Decidi passar uns dias em casa, no Ceará, para depois pensar o que seria ou faria da minha formação de jornalista, recém-concluída, pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB. Era início de 2006 e me recordo que estava ajudando meus pais na lida do roçado, lá em Várzea Alegre, quando minha irmã chegou trazendo a notícia de que “uma pessoa de televisão” tinha ligado dizendo que precisava falar comigo com urgência. Era fevereiro de 2006 e usávamos um telefone público (orelhão).

Não sabia o que era, mas voltei imediatamente para Campina Grande e fiquei sabendo que, na época, o chefe de redação Rômulo Azevedo, tinha me procurado para assumir uma vaga de editor na referida emissora. Vaga esta surgida inesperadamente após o desligamento de uma profissional. Meio assustado perguntei ao velho Rômulo: O senhor acha que sou capaz de assumir a edição de um telejornal? Na mesma hora ele respondeu: “Velho, não se subestime”. O fato é que por algum tempo editei o JPB2, na época apresentado pelo amigo Polion Araújo. Pouco tempo depois Rômulo foi desligado da emissora e quando Carlos Siqueira assumiu a chefia de redação da TV Paraíba, recebi a proposta para ser o editor do JPB1. Até então, aquele era um telejornal compartilhado com a TV Cabo Branco de João Pessoa. Carlos Siqueira e/ou Sandra Paula, na época os apresentadores aqui em Campina Grande, entravam apenas numa “janela” convidados pelos apresentadores da capital Hildebrando Neto e Carla Visani. Era um noticiário de pouca expressão local, onde um “editor da serra” tinha pouca autonomia diante dos “editores praieiros”. Foi um período tenso. Peguei “brigas” homéricas com os editores da Cabo Branco defendendo com unhas, dentes e pulso firme espaços para as notícias de Campina Grande, Cariri, Sertão e Alto Sertão. Devo ter envelhecido uns vinte anos nesse período.

Pouco antes de sair da Rede Paraíba de Comunicação em 2009, (e essa saída, além de ter relação com o meu mestrado, teve muito a ver com o meu posicionamento interno e a minha postura firme sobre o que devia ser noticiado por aqui), recebi mais uma vez, o convite de Carlos Siqueira para irmos a uma reunião em João pessoas, na sede da TV Cabo Branco, onde assumiríamos a responsabilidade por um telejornal do meio dia feito diretamente de Campina Grande. “Caboclo”, era assim que Siqueira me chamava, “você daria conta desse telejornal!?” Respondi com vaidade e a confiança de quem tinha toda certeza do que estava dizendo: SIM. Dessa vez eu não me subestimei. Fui prepotente mesmo. Acho que um “capinagrandense” já habitava em mim. Na reunião com o dono da empresa, a diretora regional de jornalismo, o superintendente da Rede Paraíba e ouros profissionais, ficara decidido que, com exceção do primeiro bloco, todos os outros seriam feitos de Campina, com notícias do interior do estado. Aquilo foi uma vitória muito grande. Tínhamos conquistado um espaço para inserir muito conteúdo jornalístico que ia para o lixo ou, simplesmente, não fazíamos porque não tinha como exibi-los.

Pouco tempo depois que sai da TVPB, aconteceu o desmembramento de vez do horário de meio dia. E eu vibrei com aquilo. Agora, voltamos à estaca zero e eu estou novamente na Universidade Estadual da Paraíba. Dessa vez como professor (ainda que substituto) sinto que é muito difícil aceitar essas decisões empresariais como algo normal é inquestionável. Eu sei talvez mais do que muita gente deve imaginar, o quanto esse espaço é importante para a cidade, para as empresas que anunciam, para os alunos que almejam fazer TV e para nós professores e alunos que precisamos acreditar e fazer acreditar que vale a pena investir na profissão que escolhemos ou que fomos escolhidos por ela.

(Um parêntese final): Ironicamente, dez anos depois de ter saído da TVPB, quis o destino que, exatamente, no dia do anúncio das demissões e do encerramento dos programas locais JPB1 e Globo Esporte (21 de Junho de 2019), eu estivesse gravando uma reportagem para o Bom Dia Paraíba. Na pauta, os temas: MEMÓRIAS, HISTÓRIAS E ESQUECIMENTO. Caros amigos, não se assustem se eu disser que a minha vida não passa de uma sucessão de acasos. Este é apenas mais um deles.

Jurani Clementino – Campina Grande

02 de Julho de 2019

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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