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Relato de uma escavação arqueológica no sul do Cariri

Vanderley de Brito. Publicado em 1 de fevereiro de 2019 às 10:01

Poucos sabem, mas o arqueólogo francês Armand François Gaston Laroche, que realizou inúmeras escavações arqueológicas na Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, registrou uma escavação, sob sua coordenação, em território paraibano. A escavação se deu em 1969, nos limites do atual município de São João do Tigre, região, na época ainda pertencente ao município de Monteiro. Contudo foi registrado como pertencente a Pernambuco, devido à proximidade com a fronteira entre os Estados e por conta dos trabalhos terem sido realizados através do Governo do Estado de Pernambuco.

O local escavado foi o solo de um abrigo rochoso, cujas paredes continham inscrições rupestres na cor vermelha, na meia encosta da serra do Acaí, na fazenda Caroá. O sítio foi descoberto, dias antes, pelo professor de geologia, Dr. João de Deus Oliveira Dias, que encontrou sobre o solo uma mandíbula humana.

A escavação foi realizada por Laroche e o geólogo José Cupertino Tenório Neto, sob o acompanhamento do descobridor da ocorrência e do Secretário de Coordenação do Estado de Pernambuco, Dr. Luiz Augusto Fernandes.

O sítio é um cemitério indígena, e o achado mais importante se deu no segundo estrato, a 40cm de profundidade, onde foram encontrados esqueletos humanos inumados, já bem arruinados pelo tempo. A escavação, orientada no sentido norte-sul, produziu uma trincheira de 2,6m de comprimento por 1,3m de largura e 70cm de profundidade, sendo peneirado um volume sedimentar de 1,6m³. Além dos esqueletos, foram também exumados lascas de sílex, quartzo leitoso, quartzito e basalto, com características de terem sido lascadas pela indústria humana, também se desenterrou: carvões, cinzas e contas de colar feitas a partir de tubos de ossos. Nenhum caco de cerâmica, artefatos de pedra polida ou metal foi encontrado na escavação.

Segundo as conclusões de Laroche, nesse abrigo, tudo parecia indicar a justaposição de três fases culturais, tendo sido o local utilizado como pouso e cemitério. As pinturas rupestres existentes no rochedo foram apenas fotografadas para estudo posterior.

Lamentavelmente, não foram feitas datações destes achados. Contudo, o relatório da pesquisa de Laroche foi publicado em 1973 na separata da revista Universitas, da Bahia e, embora as conclusões da pesquisa não sejam significativas, serão muito importantes numa escavação que venha a acorrer ali com os meios tecnológicos modernos que, aliados às informações exumadas por Laroche, talvez se consiga obter dados mais precisos sobre os primitivos habitantes da região do extremo sul do Cariri paraibano.

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Vanderley de Brito

Historiador, Arqueólogo, Presidente do Instituto Histórico de Campina Grande e membro fundador da Sociedade Paraibana de Arqueologia.

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