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Rafael Holanda: O desperdício

Rafael Holanda. Publicado em 11 de agosto de 2021 às 12:59

Cada dia que passa, o mundo de forma vil mostrando as suas unhas, de tal maneira que não adianta tentar educar seus filhos da melhor forma possível, pois após o portão haverá sempre um grande professor da maldade.

Nosso filho é um santo segundo as nossas concepções, nenhum defeito espelha em seu rosto, para todos da família este é um verdadeiro e único, mas os que primam de sua amizade estão sempre a preparar as armadilhas com que foram apanhados.

A noite é terrível e esconde dentro de sua manga da camisa cinzenta a carta da maldade, onde a companhia é capaz de fazer tudo de forma tal que a beleza da vida se transforme em caminhos de tormento.

A globalização destituiu a arte de se viver em paz, o respeito caiu por terra, e ao dizer não ao seu filho, muitas das vezes é capaz de trazer para dentro de seu seio familiar um inimigo oculto.

Eu fui criado de maneira tal que o respeito a horário e ordens de pai não se discutia; aprendi que nada poderia ser gasto além da mesada minguada; aprendi que deveria sempre se acompanhar de pessoas de boa índole.

Nunca, e em momento algum tive pensamentos em desvirtuar a minha aprendizagem a respeito de drogas, e olhe que não foram os meus pais que orientaram, e sim os exemplos que via pelas sarjetas da vida.

Nas nossas festas o velho pirata acompanhado de um refrigerante era o suficiente para que pudéssemos dançar boa parte da noite, e ainda ter tempo para com colegas fazer um pouco de serestas.

As pessoas que fizeram parte da minha adolescência se perderam pelas estradas da vida, não pelo uso das drogas, mas na realidade perdi muitos amigos em plena juventude pelo uso abusivo do álcool.

Não tínhamos carro, e todas as nossas farras eram realizadas ou a pé ou quando havia uma carona, não havia maldade no silencio da madrugada, não havia ladrões que estivessem à espreita para fazer o mal.

Hoje tudo mudou, se você passa no fim do ano exige que lhe deem como presente alguma coisa, quando na realidade isso é a nossa obrigação, se passa no vestibular, aí si, o peso da moeda é maior.

Aprendi tudo que tinha que aprender com os livros de meus irmãos que eram passados de forma hereditária, as camisas dos mais velhos sobravam para os mais novos e tudo se movia de maneira normal.

Hoje após a invenção dos 20% , todo ano temos que trocar tudo, inclusive as fardas são mudadas de cor com a finalidade básica de novas despesas, quem pode com o pote tem sua rodilha e quem não pode?

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